A Auditoria Interna encontra-se diante de
uma transformação que não será apenas tecnológica. Inteligência artificial,
automação, análise integral de dados, mineração de processos, agentes digitais
e modelos preditivos modificarão profundamente a forma de planejar, executar,
comunicar e acompanhar trabalhos. Entretanto, a principal mudança não ocorrerá
nas ferramentas, mas na própria identidade da função.
Durante muito tempo, a Auditoria Interna
foi associada principalmente à verificação do passado, à avaliação de controles
e à emissão de relatórios sobre fatos já ocorridos. Essas responsabilidades
continuarão relevantes. Porém, em organizações que funcionam em tempo real, os
riscos surgem, propagam-se e transformam-se em velocidade incompatível com
modelos exclusivamente periódicos e retrospectivos.
A Auditoria precisará estar mais próxima
dos sinais, dos eventos, das decisões e das transformações que alteram a
exposição da organização. Precisará compreender não apenas o que aconteceu, mas
o que está acontecendo, o que poderá acontecer, com que velocidade o risco
poderá se materializar, como poderá se propagar e quais decisões ainda podem
alterar o resultado.
Nesse contexto, o auditor não será apenas
executor de testes ou verificador de conformidade. Ele atuará como arquiteto de
confiança, avaliando se processos, dados, sistemas, modelos de inteligência
artificial, controles, parceiros e decisões oferecem fundamentos suficientes
para que a confiança não seja apenas presumida, mas sustentada por evidências.
Ao lado do auditor humano poderá existir
uma Equipe Digital de Auditoria, denominação adotada nesta obra para o conjunto
governado de agentes de inteligência artificial que apoia a função sem assumir
julgamento profissional, autoridade decisória ou responsabilidade. Esses
agentes poderão especializar-se em planejamento, dados, processos, normas,
evidências, comunicação, acompanhamento e análise contraditória.
A proposta vai além de adicionar
ferramentas digitais ao modelo atual. Ela exige rever o planejamento, a
composição das equipes, a duração dos trabalhos, os objetos de auditoria, a
avaliação dos riscos, a natureza das evidências, os produtos entregues e a
relação entre auditoria interna, gestão e alta administração.
1.
Planejamento orientado por sinais e
eventos;
2.
Asseguração e monitoramento
contínuos;
3.
Equipes digitais de auditoria;
4.
Memória inteligente;
5.
Gêmeos digitais;
6.
Red Teaming de Auditoria;
7.
Avaliação multidimensional de
riscos;
8.
Auditoria de ecossistemas;
9.
Desconfiança técnica da evidência
digital;
10.
Plataforma de autosserviço para as
gerências;
11.
Trabalhos mais curtos, modulares e
adaptativos.
A pergunta central não é apenas como será a
Auditoria Interna em 2030, mas o que precisamos começar a construir hoje para
que ela continue relevante, independente e capaz de produzir confiança.