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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

As feridas do círculo familiar são as que mais demoram para sarar

As feridas do círculo familiar são as que mais demoram para sarar

Não podemos permitir que um passado familiar disfuncional e traumático afete o nosso presente e o nosso futuro. Devemos ser capazes de superá-lo e nos curarmos para sermos felizes.
As feridas geradas no círculo familiar causam traumas, carências profundas e vazios que nem sempre conseguimos reparar.O impacto decorrente de um pai ausente, uma mãe tóxica, uma  linguagem agressiva, gritos ou uma criação sem segurança e afeto trazem mais do que a clássica falta de autoestima ou os medos que é tão difícil superar.
Muitas vezes a dificuldade para resolver muitos destes impactos íntimos e privados está em um cérebro que foi ferido muito cedo.
Não podemos nos esquecer de que o estresse experimentado ao longo do tempo em idades jovens faz com que a arquitetura de nosso cérebro mude, e com que estruturas associadas às emoções sejam alteradas.
Tudo isso traz como consequência uma maior vulnerabilidade, um desamparo mais profundo que  leva a um risco maior na hora de sofrermos de determinados transtornos emocionais.
A família é nosso primeiro contato com o mundo social, e se este contexto não nutre nossas necessidades essenciais, o impacto pode  ser constante ao longo de nosso ciclo vital.
Vejamos a seguir, detalhadamente, por que é tão difícil superar estas feridas sofridas na época mais inicial de nossas vidas.
A cultura nos diz que a família é um pilar incondicional 
(embora, às vezes, erre).
O último cenário em que alguém pensa que vai ser ferido, traído, decepcionado ou até abandonado é, sem dúvida, no seio de sua família.
No entanto, isso ocorre com mais frequência do que imaginamos.
Estas figuras de referência que têm como obrigação dar-nos o melhor, oferecer confiança, ânimo, positividade, amor e segurança  às vezes falham voluntária ou involuntariamente.
Para uma criança, um adolescente e até para um adulto, experimentar  esta traição ou esta decepção no seio familiar supõe desenvolver um trauma para o qual nunca estamos preparados.
A traição ou a carência gerada na família é mais dolorosa do que a simples traição de um amigo ou companheiro de trabalho.
 É um atentado contra a nossa identidade e nossas raízes.
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A ferida de uma família é herdada por gerações
Uma família é mais do que uma árvore genealógica, um mesmo código genético, que ter os mesmos sobrenomes.
– As famílias compartilham histórias e legados emocionais. 
Muitas vezes estes passados traumáticos são herdados de geração  em geração  de muitas formas.

– A epigenética nos lembra, por exemplo, que tudo que acontece em nosso ambiente mais próximo deixa um impacto em nossos genes.– Assim, fatores como o medo, o estresse intenso ou os  traumas podem ser herdados entre pais e filhos.

– Isso faz com que, em alguns casos, sejamos mais ou menos suscetíveis a sofrer de depressão ou reagir com melhores ou piores  ferramentas diante de situações adversas.
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Ainda que estabeleçamos distância de nosso círculo familiar, as feridas seguem presentes.
Em um dado momento, finalmente tomamos coragem: dizemos “chega” e cortamos este vínculo prejudicial para estabelecer uma distância da família disfuncional e traumática.
No entanto, o simples fato de decidirmos dizer adeus a quem nos fez mal  não traz, por si só, a cura da ferida. É um princípio, mas não a solução definitiva.
Não é nada fácil deixar para trás uma história, dinâmicas, lembranças e vazios.
Muitas destas dimensões ficam presas à nossa personalidade, e inclusive em  nosso modo de nos relacionarmos com os demais.
As pessoas com um passado traumático costumam ser mais desconfiadas, mais dificuldade em manter relações sólidas.
Quem foi ferido precisa, além disso, se sentir reafirmado; anseia que os demais preencham estas carências, por isso muitas vezes se sentem  frustrados porque poucas pessoas lhes oferecem tudo de que precisam.
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Podemos chegar a questionar a nós mesmos
Este talvez seja o mais complexo e triste.
A pessoa que passou grande parte do seu ciclo vital em um lugar disfuncional ou no seio de uma família com estilo de criação negativo pode chegar a ver a si mesmo como alguém que não merece ser amado.
A educação recebida e o estilo de paternidade ou de maternidade em que  fomos criados define as raízes da nossa personalidade e nossa autoestima.
O impacto negativo destas marcas é muito intenso; assim, muitas vezes a pessoa pode ter dúvida sobre a sua própria eficácia, sua valia como pessoa  ou até se é digno ou não de cumprir seus sonhos.
Nosso círculo familiar pode nos dar asas ou pode arrancá-las. Isso é algo triste e devastador, mas verdadeiro.
No entanto, há algo de que nunca podemos nos esquecer: ninguém pode escolher quem serão seus pais, seus familiares, mas sempre chegará um momento em que teremos a capacidade e a obrigação de escolher como vai ser  nossa vida.
Escolher ser forte, ser feliz, livre e maduro emocionalmente é algo essencial,daí a necessidade de superar e curar nosso passado.

Fonte: 
http://www.contioutra.com

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Semeadura – Colhendo Antes


Estamos na era da informação. Toda informação está online e a disposição rapidamente. Bens informáticos caem de preço e nos aproximam de pessoas de diversos países e comunidades. Podemos ver como vivem os mais ricos e os mais pobre do planeta. As redes sociais estão cheias de alegria e felicidade expostas em fotos nas mais diversas poses.
Também estamos na era da ansiedade. Tudo isso e uma paternidade permissiva estão gerando um exército de crianças, adolescentes e adultos que querem e conseguem tudo na hora. As doenças da moda são Transtorno com Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Bulimia, Anorexia, Transtorno Obsessivo Compulsivo e depressão.
Estranhou a expressão “moda”?, então leia o livro “A tristeza perdida” dos americanos Jerome Wakefield e Allan Horwitz e que tem o subtítulo “Como a Psiquiatria transformou a Depressão em Moda”.
Esses elementos tentam subverter o que está nas escrituras que dizem “produzirão fruto em seu tempo segundo sua espécie”.
Todos semeamos, todos os dias. E colhemos exatamente o que plantamos. É o resultado de nossos pensamentos, ações, convicções. Está insatisfeito com o que reproduz? Mude a semente. Mude.
Além da espécie de semente, temos outra característica a considerar. O tempo de plantio e colheita. Cada semente leva um determinado tempo para germinar e produzir frutos. Algumas sementes levam dias, outras mesas e outras ainda levam décadas.
Temos ainda que considerar a época do fruto. Plantando-se no tempo certo devemos esperar pelo momento correto de colher.
Entretanto os filhos desse mundo querem colher o que não plantaram e colher o fruto que ainda nem germinou. Ficam ansiosos, nervosos. São pessoas mimadas que choram ao menor sinal de dificuldade. São mortos, sem Deus, ensimesmados. Encontramos esses seres o tempo todo na igreja.
Como não reconhecem o poder de Deus e suas leis passam a adoecer e a se portar como crianças dengosas. São cheios de querer, mas nunca de se esforçar ou de dar.
Ora o segredo está em semear o tempo todo coisas boas para que a todo tempo se colham ótimo frutos. Deus nos promete colheitas abundantes, mas precisamos ser prolíficos na nossa produção.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Seja você mesmo. Agora mesmo.


A escritora Lya Luft em sua crônica na revista Veja de 30 de janeiro escreveu algo que me chamou atenção. “Querer ter 40 anos aos 70 é tão patético quanto 20 aos 40 como se nos tivessem embalsamado na idade que achamos ideal”.

Na minha jornada de vida encontrei mães que incorporaram o linguajar e as vestimentas de suas filhas. Não consigo pensar em qual intento isso foi feito, mas percebo que isso tem consequências nos relacionamentos familiares e na sociedade.

Nas três oportunidades que vi isso acontecer as consequências foram divórcio e muita confusão. Não sou fã da Sra. Lya, mas ela pergunta acertadamente: “existe uma idade melhor?”

Será que viver intensamente a fase que se está é tão difícil? Meus filhos quando tinham 15 anos queriam ter 18. Vejo pessoas com 40 querendo ter 20. O problema disso é que quando somos pais devemos assumir nossa paternidade e quando avós... assumir essa liberdade. Sou avô e minha esposa executa atividades de avó. Ela vive isso com muita tranquilidade. Fico pasmo com a naturalidade com que ela aceita e convive com isso.

Cumprir o dever de marido e esposa, pai e mãe faz parte dos tempos e idades que passamos. Assim, não pule etapas. Quando criança brinque como criança. Deixe a fase de namoro para a idade correta. Ao namorar não adote ações de casado, para que quando casar as execute na hora adequada. Ao casar assuma seu relacionamento e não descarte seu cônjuge. Quando pai pratique a paternidade.
Chega de viver a idade certa com ações erradas. Seja você mesmo. Agora mesmo.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Bicho Papão


Outro dia passeando pelo shopping perto de casa observei a dificuldade de uma jovem mãe em controlar sua filha. Aproximei-me para estudar melhor a reação de ambas. Só que cheguei perto demais, e a mãe sapecou de bate pronto: Olha se você não se comportar o tio ali, leia-se eu, não vai gostar!

Sem pestanejar eu disse: de jeito nenhum! Estou adorando a cena pode continuar. A criança agora já não entende mais nada e a mãe mais aturdida ainda se afasta de mim.

Além de ser uma ameaça, o bicho papão é a maneira mais idiota do adulto mostrar sua incapacidade de controlar o comportamento da criança. No momento a criança não percebe esses elementos. Mas a medida que cresce, se recusa a ser ameaçada, como eu e você não aceitaríamos e se recusa a acreditar em quem sempre a ameaçou com seres imaginários inúteis. Inclua nessas mentiras o papai Noel.

Agora, o adolescente recebe instruções sobre as conseqüências do sexo inseguro, drogas, falta de estudo, trabalho, igreja, Deus e adivinhem! Não acredita em nada disso. Seu pai e sua mãe passaram sua infância todinha passando a seguinte mensagem: Vou mentir para você a vida toda!

Acreditar no que não se vê é a base das culturas religiosas. Alguns pais reclamam que os filhos não querem ir a igreja, ou participar de atividades com os pais. A verdade é que os filhos se afastam de tudo que possa transformá-lo em algo parecido com aqueles que ameaçam, não possuem autoridade e mentem.  Surpresa! Você!

Dizer a verdade, dar ordens diretas, sem gritar ou ameaçar, ser coerente é um bom começo para que seu filho passe a respeitá-lo. Adquirir sabedoria para amar o filho de tal maneira que se recusa a ameaçá-lo ou mentir para ele. Mentir não o protege e eventualmente ele vai descobrir a verdade nos lábios de traficantes, prostitutas e amigos espertinhos.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Pai Ausente



Pais ausentes dificultam o desenvolvimento normal de uma criança.

Essa afirmação é pautada em estudos freqüentes realizados em diversos centros de pesquisa e universidades, em todos os níveis sociais, econômicos e religiosos. Foram feitas pesquisas em todos os continentes e consideradas as condições culturais de cada povo.

É como se a atuação do pai fornecesse partes de um lego que monta a personalidade e o caráter de um individuo. A sua ausência seja de tempo ou de falta de relacionamento parece dificultar a montagem desse lego. As conseqüências para o novo ser são terríveis e criam barreiras intransponíveis se não houver auxilio.

Filhos de pais ausentes têm maior envolvimento com delinquência juvenil, associado a abuso de drogas, vadiagem, roubo e bebida. Esses aspectos são maximizados se o pai é ausente na vida escolar do filho, a partir da sexta e sétimas séries.

A distância do entre o pai e o filho aumenta a possibilidade de uso de maconha e a percepção do filho em ser apanhado em delitos maiores. Ou seja, ter um pai por perto que tenha influencia positiva impede o engajamento do jovem em múltiplos delitos que seriam seus primeiros problemas com a sociedade.

O pai ausente – medido pela freqüência de contato e qualidade do relacionamento – é relacionado com filhos com maior disposição a sintomas de dissimulação, comportamento anti-social, depressão, tristeza, e mentira (Flouri & Buchanan, 2002a; King & Sobolewski, 2006; Mosley & Thompson, 1995).

Pais ausentes geram mais filhos com problemas de conduta, bullying, hiperatividade, vitimização, dificuldade de se socializar na vida escolar e problemas associados a notas. Esses filhos têm 80% mais chance de ir para a prisão. Além disso, duas vezes mais chance de atividade sexual precoce e sete vezes mais chance de gravidez precoce.

A vida escolar dessas crianças é pautada por problemas de atenção, desobediência, repetência e tem menor chance de chegar a estudos superiores. Além disso, possuem mais chance de cometerem crimes na escola como possuir, usar ou distribuir drogas ou álcool, usar armas de fogo, cometer violência contra professores, administradores ou outros estudantes.

Os pais ausentes são psicologicamente imaturos, menos satisfeitos com suas próprias vidas, são psicologicamente aflitos, não se compreendem e não compreendem os outros. Além disso, não se envolvem com a comunidade ou serviços sociais. Tendem a ter menos satisfação no trabalho e relacionamentos profissionais.

Existem evidências que sugerem que pais envolvidos com os filhos tem estabilidade e satisfação marital na meia-idade. São mais felizes mesmo 20 anos depois do nascimento do primeiro filho.

Filhos que tem pais envolvidos se tornam bons maridos, trabalhadores e excelentes cidadãos na meia idade (Snarey, 1993;Townsend, 2002).

Ser um pai ausente tem conseqüências. A sua proximidade com seus filhos pode determinar destinos na prisão, nas drogas ou pessoas extremamente felizes.

Uma mulher deve consistentemente observar o pai de um pretendente, pois pode ter uma visão de como será sua possível vida de casada e de como seus filhos serão tratados.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Família Mosaico – Síndrome da Alienação Parental


Conceito

A síndrome da Alienação parental é uma forma de abuso, em que um dos genitores (alienador), influencia negativamente os filhos, utilizando-os como instrumento de dor, denegrindo a imagem e incentivando a desobediência, ativa e passiva, com intuito de impor obstáculos para o relacionamento do outro genitor (alienado), com os filhos.

Segundo o psiquiatra Richard Gardner em seu livro Recent Trends in Divorce and Custody litigation, o genitor alienador apresenta o seguinte comportamento, dentre outros:

- Recusar-se a passar as chamadas telefônicas aos filhos;
- Desvalorizar e insultar o outro genitor na presença dos filhos;
- Tomar decisões importantes a respeito dos filhos sem consultar o outro genitor (escolha de escola, religião, etc.);
- Culpar o outro genitor pelo mau comportamento dos filhos;
- Organizar várias atividades com os filhos durante o período que o outro genitor deve normalmente exercer o direito de visitas, entre outros.

Contexto

Após 15 anos de casamento Claudia e Euclides, separaram-se. Em meio a discussões intermináveis e muito rancor, dividiram os bens e como seria o relacionamento com o filho de 15 anos, Lúcio.

Tudo ia bem até que Euclides começou a namorar. A atitude do filho durante o período de visita ficou visivelmente agressiva. O rapaz se recolheu, passou a inventar desculpas para não ir para a casa do pai e não atendia telefone. A comunicação entre pai e filho diminuía dia a dia.

O conflito

Lúcio como apresentar episódios de raiva, demonstrando sentimentos de ódio contra o pai. A comunicação entre os dois diminui e encontra facilidades com a resignação do pai em relação ao assunto.

Ao se referir ao pai, Lúcio, fala exageradamente dos defeitos e ações. Demonstra ter uma visão distorcida do caráter do pai.

Rejeita a madrasta. Desrespeita e evita o contato. Desobedece e empreende ações que indicam o seu desprezo pelo relacionamento em vigor.

Conseqüências

Euclides se afasta ao ponto de não se comunicar com o filho por meses.

Esse afastamento tem repercussões na vida e Lúcio. Apresenta depressão, ansiedade. Passa beber e usar drogas.

As notas e o comportamento com professores e colegas não é o mesmo. A estima está baixa e tem dificuldades em estabelecer relacionamentos.

Não sabe quem é, pois a imagem da figura em que deveria se espelhar como homem foi duramente atacada e eventualmente destruída no processo. O gênero não faz mais sentido. Ser homem e se assemelhar a figura paterna é doloroso, há remorso e culpa nesse relacionamento.

Solução

Nesse ponto, a reversão é difícil. Começa com o entendimento dos pais que a cura do filho começa neles. O relacionamento entre os ex-cônjuges deve ser revisto.

Procure ajuda para si mesmo. Amigos, líderes espirituais, psicólogos especializados em família podem ajudar nessa situação de estresse.

Busque um mediador. Estabeleça com a contraparte alguém com experiência em educação de filhos que auxilie no processo de condução de seus filhos durante a separação.

Após o acerto entre eles, o perdão e a admissão dos erros de desonra e omissão devem ser feito na presença do filho. O conserto tem que ser presenciado e ter a participação de todos.

A partir daí, o pai, deve estabelecer um relacionamento emocional e espiritual com o filho. Presença e tempo de qualidade. Todas as outras prioridades da família devem se voltar para resolver isso. 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Família Mosaico – Síndrome do Baby


Contexto

Soraia casou-se com Alberto. Este, com um casal de filhos, que passaram a morar com ele por ocasião de seu novo casamento.

O menino e a menina, 12 e 13 anos respectivamente, foram doutrinados pela mãe a atrapalhar ao máximo, o relacionamento do novo casal.

A madrasta, com toda boa intenção, oferece carinho e amor, que pensa ser o oferecido por uma mãe de verdade. Pensa: Agora sou casada e mãe.

Como todo bom início de casamento, o casal é todo carinhoso entre si. Passam juntos o tempo todo, as expressões verbais e físicas de carinho são explícitas. A sexualidade de ambos está à flor da pele. Isso não passa despercebido pelos filhos.

O conflito

Na primeira necessidade de exercer autoridade, a nova madrasta ouviu: Você não manda em mim, você não é minha mãe! O Choque inicial só não é pior porque não era um momento de disciplina. A vontade de se encaixar, de ser aceita como mãe dificulta que se exerça autoridade gerando muita ansiedade e insegurança. O casamento fica em risco.

Não ser mãe, não exime a responsabilidade que repousa sobre a madrasta. Ela precisa manter a ordem e a disciplina durante o tempo que estiver só com os enteados e que suas determinações sejam obedecidas mesmo em sua ausência.

A filha por sua vez, vê a madrasta como um obstáculo, uma adversária na disputa do carinho e amor do pai. O pai já não a abraça mais. Não pega no colo. Não vai ao seu quarto contar estórias ou brincar com ela. Não há mais conexão. E a culpa é da madrasta. E esta vai pagar caro por isso. Essa atitude tem apoio e incentivo da ex-esposa. Isso vai custar em sua vida. Caro.

O pai não vê problemas em nada disso. Tudo vai se resolver com o tempo. No máximo a culpa de tudo isso é da mãe, e ele não pode fazer nada, afinal ela é assim mesmo e foi por isso que se separaram. Vai ter uma conversa com os filhos e tudo vai ficar bem.

Conseqüências

A madrasta está sobrecarregada. Precisa manter tudo em paz, afinal o esposo disse que é assim mesmo. Sem autoridade, sem apoio do marido e sendo sistematicamente sabotada e desonrada pelos enteados. Sem saber o que fazer entra em depressão.

Os filhos estão carregando um peso que a mãe colocou sobre eles. O de acabar com a felicidade da madrasta. Isso dificulta seu crescimento emocional e incute neles a visão de que a vida é feita de joguinhos e que os relacionamentos familiares, bem como o casamento é uma farsa. Logo vão descobrir que foram usados pela mãe contra o pai e tendem a se retrair. O resultado é desobediência, alienação dos assuntos familiares, relacionamentos destrutivos e em alguns casos tentativas de suicídio. Cabe aqui um parêntese. A tentativa de suicídio mal-sucedida não significa que o jovem quer chamar atenção. Significa que está mais próximo de conseguir se matar.

O pai passa a ser pressionado pelos filhos, esposa e ex-esposa. Não tem mais paz. Espera que o tempo solucione os problemas. Isso não vai acontecer. Por vezes, a conseqüência ´novo divórcio.

Solução

As regras para conduzir esse tipo de situação, resguardadas as exceções, são:

1º - você não é a mamãe, mas se for chamada assim, deixe;
2º - você é autoridade;
3º - exerça autoridade;
4º - não abra mão, em hipótese nenhuma, da sua autoridade;
5º - privilegie o relacionamento, a amizade é conseqüência e não o objetivo;
6º - exija a participação do marido nas decisões e não aceite que o tempo seja o remédio para os problemas;
7º - haja como adulto, não entre em discussões ou pequenas guerrilhas com os adolescentes, você não vai ganhar e todos perdem;

As regras acima citadas servem também para os padrastos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Divisão de Tarefas


Uma das responsabilidades do pai é criar um sentimento familiar de união e de pertencimento. Para tanto, uma das maneiras é incentivar o espírito de equipe no lar com divisão de tarefas.
A divisão de tarefas propicia a interação, a comunicação e a necessidade de colaboração entre irmãos. Mas o maior ganho é o sentimento de pertencimento.
Todos os membros da família precisam saber e sentir que são bem vindos, queridos, amados pelo grupo e que sua presença e as atividades que desempenham fazem diferença. A ausência desse sentimento se revelou, em inúmeros casos que partilhamos a solidão, a depressão, suicídio e uso de drogas.
Existem outras maneiras de incutir esse sentimento de amor pela família como, por exemplo: elogio ou encorajamento verbal, dar presentes, tempo de qualidade, toque físico e serviço, mas hoje vamos focar apenas no incentivo do espírito de equipe.
As atividades devem ser distribuídas em função da idade, da habilidade e disponibilidade da criança ou jovem, não devem ser pagas, mas podem ser elogiadas. Devem ser privilegiadas atividades em que haja necessidade de troca de impressões e colaboração com pais e irmãos.
Cuidado com higiene, roupas, objetos pessoais e estudar, bem como seu arrumar o quarto, não entram na distribuição de tarefas. Pelo contrário, são pré-requisitos, para liberdades como sair para brincar, jogar videogame ou navegar na internet, por exemplo.
Importante dizer que essas atividades não podem ser usadas como forma de castigo. Feito isso toda atividade desse tipo passa ser encarada como tal.
Outro erro freqüente é que todas as tarefas caseiras são de responsabilidade da esposa. Tomar um copo de suco e lavá-lo, colocar sapatos e chinelos no lugar, tirar a toalha molhada recém usada de cima da cama são itens óbvios, mas que figuram no topo das reclamações das esposas.
A síndrome da troca da guarda, em que a mulher não faz mais nada em casa assim que o marido chega, transferindo para ele todas as atividades, também é um fator de fracasso para a divisão e execução das tarefas de casa.
Os filhos observam esses erros e passam a ter um comportamento reativo, até mesmo para as próprias atividades como tomar banho e escovar os dentes. Voltar atrás desses erros requer um esforço de ambos os cônjuges e uma ou mais reuniões familiares para ajustes.
A ausência desses cuidados, principalmente por parte do pai, propicia que o adolescente seja preguiçoso e insolente, no que diz respeito a trabalho, organização e até mesmo higiene pessoal.

O sentimento de ser amado, de pertencer a família e ser importante vai mudar a vida dos membros da família. No texto abaixo, de Gary Chapman, do livro As Cinco Linguagens do Amor, exemplifica isso.

Psicólogos concluíram que sentir-se amado é a principal necessidade do ser humano. Por amor, subimos montanhas, atravessamos mares, cruzamos desertos e enfrentamos todo tipo de adversidade. Sem amor, montanhas tornam-se insuperáveis, mares intransponíveis, desertos insuportáveis e dificuldades avolumam-se pela vida afora. O apóstolo dos gentios, Paulo, exaltou o amor ao afirmar que qualquer ato humano não motivado por esse sentimento é em si vazio e sem significado. Concluiu que na última cena do drama humano, somente três características permanecerão: "fé, esperança e amor. Porém, a maior delas, é o amor".

domingo, 25 de março de 2012

Verdade x Mentira

Nos dias que a lei passou a exigir que crianças de 4 a 7 anos e meio deveriam usar assento de elevação, com o cinto de segurança de três pontos do carro, encontrei um amigo ao sair do trabalho.
Ele estava esperando pela esposa e o filho estava no banco de trás.
Perguntei para o menino qual a idade e ele me respondeu 8.
O pai se indignou:
- Você tem 6 anos!
Ao que o menino replicou:
- Tenho 8 anos pai.
Depois de duas ou três tentativas do pai em demover a criança daquela ideia, entrei na conversa e perguntei diferente.
- Porque você diz que tem essa idade?
Ele respondeu:
- Meu pai disse que quando estiver dentro do carro tenho 8 anos.
O pai sorriu amarelo e contou que estava sem dinheiro para comprar a cadeira.
A esposa chegou e o salvou de mais explicações se é que é possível explicar tal mentira.


Em algumas oportunidades que tenho de receber casais com problemas com filhos adolescentes, destaco a necessidade de voltarem atrás e pedirem perdão pelas vezes que pediram que os filhos mentissem.
Mentiras mais comuns nas famílias.
Telefone:
- Diz que não estou.
- Fala que estou doente.
- diz que ligo mais tarde.
- diz que estou ocupada.
Cinema e afins:
- Diz que é mais novo para pagar meia ou não pagar nada.
Visitar outras pessoas:
- diz que a comida está boa mesmo que não esteja.
- diz que o bebê é bonito.


A mentira vira um meio fácil e cômodo de resolver problemas e se torna muleta. Logo os próprios pais se tornam vítimas deste expediente sórdido.
A segunda consequência é o afastamento que os adolescentes e jovens tomam dos hipócritas.
Pois os pais passam a dizer que a verdade é importante, mas mentem o tempo todo.
Isso faz com que os jovens se afastem de tudo que os pais representam trabalho, amigos e igreja.


As lacunas deixadas pelos pais causam tristeza, depressão e isolamento dos filhos adolescentes e jovens.
A mentira é uma espécie de desculpa ou muleta, e quem é bom em mentira ou desculpas não é bom em mais nada.