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quinta-feira, 13 de junho de 2024

Nome-do-Pai

 A teoria do Nome-do-Pai é um conceito central na obra do psicanalista francês Jacques Lacan. Essa teoria foi esboçada em 1953 e se desenvolve ao longo de suas palestras e escritos, especialmente nos Seminários e nos Escritos. Lacan desenvolveu essa teoria como parte de sua reinterpretação da psicanálise freudiana, trazendo à tona a importância do simbólico na estruturação do sujeito.

Origem e Contexto

A teoria do Nome-do-Pai surge no contexto do retorno de Lacan a Freud, um movimento para resgatar e revalorizar certos aspectos da psicanálise freudiana que, segundo ele, haviam sido negligenciados por outros psicanalistas contemporâneos. Lacan enfatiza a função do simbólico na constituição do sujeito e nas dinâmicas do inconsciente.

Definição do Nome-do-Pai

O Nome-do-Pai refere-se à função simbólica desempenhada pela figura paterna ou pela instância paterna na estruturação do sujeito. Não se trata necessariamente do pai biológico, mas de uma função que pode ser ocupada por diversas figuras ou elementos na vida do indivíduo. O Nome-do-Pai é essencial para a entrada do sujeito na ordem simbólica e para a constituição da Lei.

A Função Paterna

A função do Nome-do-Pai é introduzir a criança à Lei, à ordem simbólica, que é regida por normas e regras sociais. Esse processo é crucial para a resolução do Complexo de Édipo, conforme teorizado por Freud. No momento em que a criança reconhece a autoridade do pai (ou da figura que desempenha essa função), ela internaliza a Lei, o que permite a formação do superego e a aceitação das normas sociais.

As Três Ordens: Simbólico, Imaginário e Real

Lacan estrutura sua teoria psicanalítica em três ordens: o Simbólico, o Imaginário e o Real. O Nome-do-Pai é uma função fundamental no registro do Simbólico. É por meio da internalização dessa função que o sujeito pode se situar na rede de significantes que compõem a linguagem e a cultura.

- Simbólico: Relaciona-se à linguagem, às leis e normas sociais. É o domínio dos significantes e da estruturação social.

Imaginário: Refere-se à formação de imagens e à relação dual entre o eu e o outro. Está ligado ao narcisismo e às identificações primárias.

Real: O que escapa à simbolização e ao imaginário, aquilo que é irredutível ao entendimento humano.

Consequências da Foraclusão do Nome-do-Pai

Quando a função do Nome-do-Pai é foracluída (ou seja, excluída radicalmente do Simbólico do sujeito), o indivíduo pode experimentar uma estrutura psicótica. Na psicose, a falha na inscrição do Nome-do-Pai impede o sujeito de se estruturar adequadamente na ordem simbólica, resultando em uma desorganização do campo do significante e, frequentemente, na emergência de fenômenos como delírios e alucinações.

Importância na Psicanálise e na Cultura

A teoria do Nome-do-Pai de Lacan teve um impacto significativo tanto na psicanálise quanto em áreas relacionadas às ciências humanas e sociais. Ela oferece uma maneira de entender como os indivíduos são constituídos dentro da cultura e como a linguagem e as normas sociais influenciam a formação da subjetividade.

A teoria do Nome-do-Pai esboçada por Jacques Lacan em 1953 é uma contribuição fundamental para a psicanálise. Ela ilumina a função crucial que a figura paterna, enquanto representante da Lei e do Simbólico, desempenha na constituição do sujeito e na sua inserção na sociedade. A compreensão dessa teoria é essencial para aqueles que estudam psicanálise e para todos os que desejam entender as complexas dinâmicas da subjetividade humana.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Seu Filho na Matrix

Muito comum nos dias de hoje é ver crianças de cabeça baixa introspectivas, com atenção toda voltada para o celular ou tablet.  
A tecnologia trouxe facilidades que unem continentes, culturas e religiões.
Os pais não sabem e não conseguem interagir com seus filhos. Muito mais focados em si mesmos, em sua vida e em suas prioridades, colocam os seus filhos em segundo, terceiro e quarto planos. 

Esse egoismo traz desafios interessantes para família, um deles é como manter uma criança quieta sem incomodar, sem fazer perguntas, sem interação. 
Em alguns casos, os pais terceirizam até responsabilidades elementares para vida da criança, como por exemplo alimentação e higiene. Alguma empregada doméstica toma conta dessas atividades. 

Algumas pesquisas apontam que os pais interagem com seus filhos por apenas 30 segundos por dia. É como se tivessem um animal de estimação. O animal fica ali, parado esperando alguma atenção e carinho mas só pode interagir quando chamado. Então a criança fica ali controlada parada, obediente, sem qualquer relacionamento com pai ou mãe, ou seja não a vida familiar parece nula para essa criança. 
A tecnologia, que pode ser usada de tantas maneiras deficientes eficientes, como ensino da religião, moralidade, e dos bons costumes, fica anulada.

Que tal brincar com seu filho? 
Se você viu o filme Matrix vai perceber que o seu filho está conectado a uma rede mundial com todos os vícios, problemas e questões que isso pode trazer. 
Para se conectar com seu filho, que tal estabelecer um relacionamento real, verdadeiro com seu filho? Então passear com ele, sorrir com ele, curtir as dúvidas dele, os pensamentos dele. 

Há muito desapareceu o prazer de ver as primeiras dúvidas de outro ser humano, seus primeiros sentimentos, suas primeiras visões de mundo, seu desejo de conhecimento, seu desejo de ser visto e seu desejo de ser amado. 
É possível pela que é a maior honra desse planeta seja a construção do caráter de um novo ser humano. É possível que o maior objetivo da paternidade e da maternidade seja nutrir e apreciar o crescimento de um novo ser, que vai perpetuar fisicamente e espiritualmente a família. 

Ao contrário do que se pensa, conexão realizada com Matrix não é facilmente desfeita. 
Assim que, filhos ganharem a adolescência, essa conexão com a Matrix, estabelece uma forma de rejeição com os elementos familiares e de comunhão com os pais. 
Uma reclamação frequente dos Pais é que a um distanciamento os filhos. Mas esse distanciamento foi causado pela falta de conexão nos primeiros dias da adolescência e da infância. 
Por isso é importante, comunicação intensa, amizade, olho no olho, sorrisos, muitos almoços e jantares alegres. 
Ame seu filho dando tempo de qualidade e quantidade, pois quando ele crescer, as melhores lembranças da vida dele vão ser nos braços do papai e da mamãe. Do contrário, as melhores lembranças dele estarão em um vídeo no YouTube.

Órfãos de Mães Vivas


Órfãos de Mães Vivas

- Você tem amor para ser mãe?

O que temos visto nos últimos tempo é um considerado número de mulheres com filhos sem a mínima vontade de se doar. Não há presença(tempo de qualidade), carinho, atenção e aquele tão falado instinto maternal. Algumas mulheres se relacionam de maneira utilitária,com atitudes destrutivas e interesses convenientes.
A seguir vou pontuar algumas experiencias vividas e pontos de vistas pessoal.


- O que é ser mãe?

Ser mãe está na base da realização pessoal de uma mulher, é contribuir para o desenvolver de um novo ser que depende única e exclusivamente dela,significa mudar a sua vida, seu tempo, seu pensamento,é ter uma razão de ser para o resto da vida; querer aproveitar e viver ao máximo cada momento,dar amor para levar seus filhos adiante e ensiná-los a viver, ser mãe é se doar. 


- Vontade de se doar.

Vou abordar esse assunto relatando uma atitude corriqueira comum nos dias de hoje.
Mães dispersas,ausentes, apesar da presença física.
Dia desses estava em um hipermercado e havia um casal com uma criança de mais ou menos um ano e meio.
O pai orientou a mãe que ficasse com a criança em um banco sentada na frente do caixa enquanto ele embalava e pagava as compras.
A mãe sentou pegou o celular baixou a cabeça, e em alguns minutos a criança resmungou, choramingou e ela se quer levantou a cabeça para ver o que estava acontecendo.
A criança escorregou da cadeirinha do carrinho do supermercado e ficou presa pelo pescoço.
O pai quando percebeu correu para socorrer o filho.
Ele voltou para embalar as compras, e no mesmo instante a mãe baixou a cabeça e continuou mexendo o celular.Pasmem!
Hoje vemos por vezes mães com filhos em idade que precisam de atenção redobrada,pois estão engatinhando, aprendendo a andar, descobrindo o mundo e o que assistimos: mães que estão mais preocupadas e priorizando outras coisas,sem acompanhar o crescimento dos seus filhos, e assim assistimos algumas colocando crianças sentadas por horas na frente da tv para não se dar ao trabalho de interagir com elas, deixando as crianças o máximo de tempo em creches e com babas, sem o menor instinto maternal.  


- instinto maternal.

Se refere às reações instintivas de uma mãe com sua cria. É um valor complicado de gerir na sociedade atual. Há mulheres que nasceram para ser mães e outras, nem por isso. Mas, muitas das vezes a mulher tem sempre muito amor dentro do seu íntimo.
E outras nem tanto!E os filhos viram um peso.


- Filhos como um peso

Nem todas as mulheres, fazem uma festa por estar gerando uma criança. Existem mesmo muitas, que repudiam os pequenos,como se eles fossem um incômodo.
Recordo-me de uma relação profissional com um casal de classe financeira bem alta, com 3 filhos os dois mais novos gêmeos, as três crianças entravam em panico se fosse cogitada a ideia da governanta ser dispensada,  pois à tinham como mãe.
Qualquer discussão entre a mãe e a empregada, as crianças se desesperavam chorando e perguntavam o que iria ser deles se ela não estivesse presente, a frase dita era: "quem vai cuidar de nós". Meu coração ficava apertado, ao assistir o desespero daquelas crianças que tinham tudo que o dinheiro poderia comprar, mas não tinham a atenção e o carinho dos pais. 
Presenciei um outro episodio quando uma das crianças passou mal no colégio e desmaiou, e o motorista foi chamado e orientado a ir buscá-lo e levá-lo ao hospital, pois a mãe estava fechando um contrato e o pai estava no trabalho. 
Fiquei refletindo que tipo de adulto ele seria? 
Órfãos de pais vivos, muito triste!
E podem se tornar,filhos futuramente problemáticos.  


- Quando um filho se torna um problema.

Quando um filho causa problemas é um período complicado para pais e filhos. As relações ficam mais difíceis, é preciso administrar com calma e evitar o distanciamento.
Se o filho está passando por um momento parecido com o qual a mãe já passou..Elas costumam falar que sabem perfeitamente pelo que eles estão passando, pois já viveram tudo aquilo. E, portanto, acham que podem dizer qual é o melhor caminho. Isso é um erro.
Quando os filhos são mais novos devem ser orientados e acompanhados, tudo com respeito. Se maduros não há necessidade de cobrar explicações invasivas, trate-os com respeito para não causar um bloqueio na comunicação. Se possível tente quebrar o clima de tensão entre vocês com bom humor, é uma opção.
Não gere clima de desconfiança, lembre-se que as relações íntimas são baseadas na confiança,.
Por isso, converse com calma, não faça chantagens ou ameaças, tente parar e entender as razões que o levaram tomar algumas atitudes e escolhas.Não exponha a intimidade do seu filho, a relação maternal é hierárquica o que não significa que tenha de ser ruim ou mesmo desrespeitosa.



- Mães utilitária,tóxicas\destruidoras.

Alguns filhos se depararam com esse perfil de mães...que se relacionam de maneira utilitária (interesseiras,que vêem ou procuram os filhos para satisfazer suas necessidades e interesses), trazendo consigo o desagradável brinde de atitudes detonadoras, inconsequentes e com interesses convenientes.
Os filhos sentem o interesse em que elas querem levar carona, na sua situação financeira, status, entre outras coisas.

As mães tóxicas oferecem aos seus filhos os chamado amor tóxico e, muitas vezes, imaturo. Projetam sobre eles toda a sua insegurança pessoal são capazes de criar “hábeis artimanhas” para continuar tendo os filhos bloqueados, chegando a justificar a eles que agem assim para o bem deles. 
Por outro lado vem o lado mais tóxico,que é o reflexo de um amor egoísta e prejudicial. Muitas vezes asfixiante(invasivo), e que pode ser completamente destrutivo.
Essa mães tende a se utilizar de algumas frases bordão, como:

"Eu quero o melhor para você”
“Quero que chegue a ser aquilo que eu não pude ser”

Nessas ocasiões as mães tóxicas projetam em seus filhos os desejos não realizados do seu próprio passado, sem perguntar se querem  e o que eles desejam, sem dar-lhes a opção de escolher, tornando-se invasivas.Reflita que a maternidade não lhe dar permissão para tal atitude, principalmente na fase adulta.

Diante dessa situação é necessário que o filho rompa o ciclo da toxidade compreendendo que precisa abrir suas asas para ser ele mesmo para ser feliz.  Essa oposição vai lhe dar trabalho, mas deve começar a dizer “não” para todos os invasivos seja sua mamãe,sua família um amigo mais chegado. É necessário saber que romper este ciclo de toxidade vai provocar alguns danos, Mas! Nessas ocasiões, dizer a verdade do que sente pode causar perdas aos outros, mas é uma necessidade vital e talvez assim evitar o estagio de detonação.


Nesse paragrafo vou abordar uma mãe detonadora, exemplificando o que veria a ser são aquelas que no meio da adversidade ao invés de adubar o bem,e apagar o incêndio ao seu redor insistem em inflamar a discórdia, a  maledicência, grosseria e pasmem! Muitas vezes tramam o mal pelo simples fato de discordarem dos filhos.

Quando os filhos tomam atitudes que descordam, não acolhem, e tão pouco aconselham, tem a visão deturpada, que criticar é aconselhar.
Uma mãe insensata dissolve sua família temos alguns exemplos na própria bíblia, um deles está relatado no livro de Gênesis nos capítulos 25 a 30 a historia de Raquel esposa de Isaque uma mãe inconsequente e sem sabedoria que destrói a sua família jogando um irmão contrato outro.



A palavra AMAR  é um verbo de ação e exige atitude...Se você não empreende ações, amar vai continuar a ser uma palavra vazia, e você não terá como colher amor do seu filho se suas atitudes não demonstram afeto.
SER MÃE É O AMOR NA SUA ESSÊNCIA.


# fica a dica.
By #Eveline

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Seu Coração e o Coração do Seu Filho



Tenho visto alguns conflitos familiares modernos e outros bem antigos sendo resolvidos com amargura, tristeza e rancor.

Notas baixas, faltas no colégio - antigos -, selfies no espelho nuas - novos -, trazem angústia aos pais. Interessante que os filhos em todas as eras tiveram notas baixas, inclusive os pais atuais, mas ainda não conseguiram responder a esse desafios adequadamente.

Como conversar com um filho que apronta.

Antes de mais nada os pais precisam se perguntar se sentiram pessoalmente ofendidos pelo o que o filho fez. Se sim, precisam resolver isso antes. Aquela história estou pagando pelos seus estudos, internet, comida, bla, bla, bla é uma bobagem. Você é obrigado por lei a dar comida e estudo a seus filhos. A mágoa precisa ser tratada antes que você aplique um castigo em seus filhos.

A maioria das coisas que os filhos fazem são contra eles mesmos. Não passar de ano tem um castigo associado. Repetir o ano. Os pais reagem com raiva, gritos e punições o que demonstra que querem vingança e dor, no intuito de esvaziarem toda mágoa que tem em seus próprios corações.

O primeiro passo para resolver e auxiliar os filhos nessas fases difíceis é entender a raiz do problema e atacar o problema e não aos filhos. Esses precisam de amor, educação, orientação e cuidados.
Por que não estuda, por que mata aula, são perguntas a serem respondidas para que possamos avanças na solução do problema.

Ame seu filho, depois pense um pouco. O problema vai diminuir de tamanho consideravelmente.

Conheci um casal cuja filha tirou uma foto dos seios e enviou para os amigos do colégio.

Ao serem chamados no conselho tutelar o pai alegou que não acreditava que a filha pudesse fazer isso e a defendeu. A mãe agrediu verbalmente e fisicamente a filha e ficou contra a menina.
O ponto não é se a filha dizia a verdade ou não. É necessário entender qual a raiz do problema. Amparar o filho e deixá-lo se expressar no intuito de resolver o conflito.

O resultado é que o abismos que já existia entre mãe e filha aumentou e o problema persiste.

Agora temos pai contra mãe e filha com problemas. 

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Tá faltando pai no mercado....

A ausência do pai que é vivo na vida de um filho é descrita pelos especialistas em relacionamentos familiares como mais prejudicial que a morte do pai.

O pai do assassino norueguês Anders Behring Breivik, ex-diplomata que se mudou para a França para se aposentar se descreve como um pai ausente. Ele está publicando um livro chamado “Minha culpa?” em que examina sua responsabilidade no massacre de 69 pessoas na Noruega.

Quando um pai se divorcia ele terá dificuldades de exercer todas as atividades de pai e diminuirá grandemente a presença e acompanhamento do filho. Isso aconteceu com Anders.

Alguns pais tentam se eximir dessa culpa e justificam dizendo que farão tudo para compensar o filho pela sua ausência. Sou filho e pai. E digo com todas as palavras: Nada compensa a ausência de um pai na vida de um filho. Acordar e levar para o colégio, almoçar junto e ter atividades em casa diariamente e no fim-de-semana é fundamental para a construção da personalidade do futuro adulto.

Abrir mão da família por meio do divórcio é um meio fácil e cômodo de tentar se livrar de problemas, pelo simples fato que dois adultos não conseguem resolver diferenças e desavenças. Os filhos são os maiores prejudicados. Mas sempre tem alguém que acha uma justificativa para amenizar a própria culpa. Vejo isso o tempo todo.

Pode ser que um dia os filhos sejam considerados um bem inestimável da humanidade e esse valor determine a força que os pais devem empregar no sentido de o educarem juntos em um só casamento.

Pode ser que um dia as pessoas considerem a felicidade e a harmonia de um ser em formação antes de tomarem posições destrutivas para a família.

Pode ser que um dia as pessoas tenham mais fé em Deus.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Assassinando Crianças

Essa semana uma notícia que me chamou atenção. Tendo em vista o número de notícias semelhantes nesses dias creio que foi uma forma de Deus me mostrar esse assunto. Conversamos eu e Ele sobre isso.
Uma jovem senhora chegou ao hospital com sangramento resultado de nascimento. As enfermeiras perguntaram e como não foram atendidas em seus questionamentos. Chamaram a polícia.
Todos tinham pressa. A mulher confessou o nascimento e o descarte da criança.
O que horrorizou a todos foi a maneira odiosa que a mãe usou para fazer isso. A criança foi abandonada dentro de um freezer.
Em oração fui levado a um estado de empatia com a criança abandonada. Senti suas sensações, via por detrás de seus olhos.
Foi assim:
Logo após sair da placenta e ter luz a minha disposição. Chorei.
Queria um abraço. Queria ser aquecido. Queria carinho. Proteção...
Ouvia minha mãe, via muita claridade.
Chorei mais.
Não fui recebido. Fui jogado para fora do corpo de minha mãe. Estou no chão.
Agora sou pego no colo. Sinto que tem nojo de mim. Sou um estorvo.
Choro mais.
Em meu pequeno coração há um sentimento de abandono. O coração bate mais rapidamente. Sou impotente e totalmente dependente.
No instante seguinte sou colocado em um local gelado.
Não é minha caminha. Não é meu quarto. Não tem brinquedos.
Está gelado. Choro mais ainda.
Agora escureceu. Estou com frio.
Aos poucos sinto meus bracinhos gelarem e endurecerem.
Sinto a dor do abandono, a angústia da solidão e finalmente a angústia da morte que me domina vagarosamente.
Choro fraquinho agora, numa última tentativa de entender o fim que me minha mãe me reservara.
A escuridão e o frio são meus companheiros agora.
Finalmente o nada.
Assim, sai daquele torpor que Deus me colocou.
Meu coração batia tão apressadamente que pensei ter um ataque cardíaco.
As angústias da solidão e da morte ainda me acompanham e toda vez que vejo uma criança o coração bate mais forte, como se a criança que visitei em empatia ainda vivesse em mim e quisesse sair para brincar.
Ainda choro disfarçadamente em casa e no trabalho quando lembro esse episódio.
Agradeço ao meu pai celestial que me deu um pai e uma mãe que me receberam com tanto carinho e amor. Fui amado e cuidado.
A terra clama por vingança pelo sangue inocente que é derramado.
Exclamou o SENHOR: “Que fizeste? Ouve! Da terra, o sangue do teu irmão clama a mim.
Gn 4:10

sábado, 3 de maio de 2014

Conflitos Escolares

Tirar nota baixa, bem como receber bilhetes da escola por mau comportamento são momentos de estresse tanto para pais como para filhos.

Como lidar com isso?

A primeira mudança na mente dos pais é que todos na casa devem ser familiarmente responsáveis. Mas o que é isso? Todas as atividades da família devem ser trabalhadas de modo a conferir sucesso da casa toda, promover paz e equilíbrio a todos.

Outra visão que os pais devem desenvolver em sua mentalidade familiar a respeito das notas e desempenho acadêmico do filho, consequências e vitórias são principalmente dele. Ele é afetado e tem que ficar aborrecido com problemas se com ele acontecerem. Alguns pais ficam feridos, tomam para si a derrota ou se veem pessoalmente ofendidos pelo filho. A resposta emocional para esse momento é ineficaz e representa um perigo para o futuro da casa.

Ao evitar uma resposta emocional podemos identificar as causas com maior facilidade. A solução para as causas identificadas devem ser distribuídas proporcionalmente entre pais e filhos. Muito mais para o filho, mas com envolvimento ativo dos pais.

As notas, bem como as conquistas e as derrotas ao longo do caminho são do seu filho. Não se apodere, nem sofra com elas como se fossem suas. Fique feliz, elogie ou fique triste e dê conselhos, mas saiba que todos têm um caminho solo a seguir e que todos os grandes eventos na nossa vida serão parte de nosso histórico pessoal e não dos nossos pais.

A partir dessas premissas toda a família pode buscar resolver seus problemas com ajuda de todos mas ser responsável, desenvolver esforço pessoal, deve ser um busca de cada membro do lar.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Reflita sobre o relacionamento com seus filhos...

Você se envolve com seus filhos?
O relacionamento entre padrasto / madrasta e seus enteados é tenso?
Quanto tempo você conversa diretamente com seu filho / enteado, olho no olho?
Seu filho / enteado pode falar com você a qualquer hora do dia?
Você se envolve diretamente nas decisões que dizem respeito a seu filho? (escola, médico, alimentação, etc)
Seu filho / enteado pode contar com o apoio dos pais quando tem problemas, não importa o quanto são importantes ou graves?
Ele vai ser ouvido em suas opiniões por mais inocentes ou fantasiosas que sejam?
Você pergunta como foi a aula hopje e fica satisfeito com a interação realizada?

Regras e Monitoria
A casa tem regras? As regras tem alguma base escrita, seja teológica, filosófica ou é com base empírica, ou seja, experiência pessoal?
Em caso de descumprimento das regras, o que é feito?
Você demonstra amor pelo seu cônjuge? Como?
Você faz carinho no seu filho / enteado?
Você elogia seu filho / enteado?

Comunicação Negativa
Você grita em casa?
Você fala palavrões?
Você se dirige aos seus filhos com ironia e desrespeito quando eles erram?
Eles tem punição física quando erram (cinto, chinelo, mão)?
Modelo
Você dá exemplo no que diz respeito a moral, educação, igreja, dinheiro?
Você cumpre o que exige  e participa de atividades legais aos olhos dos filhos?
Sentimentos dos filhos
Seus filhos e enteados os citam como sendo os seus "melhores amigos"?
Seus filhos tem orgulho de você?
Você cede sua autoridade temendo perder a amizade dos filhos?

Clima conjugal Positivo
Você se sente amado(a) pelo(a) seu cônjuge?
Você é elogiado(a) pelo seu cônjuge?
você recebe carinho do seu cônjuge?

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Envolvimento

O envolvimento do pai com o filho foi inicialmente conceituado por Michael Lamb and Joseph Pleck como tendo três dimensões:Interação direta, acessibilidade e responsabilidade.

A interação direta é definida como o contato direto de um pai com seu filho, por meio de cuidados e atividades compartilhadas. O envolvimento positivo do pai, no que diz respeito a interação direta, está diretamente relacionado baixos índices de abuso de álcool, auto-controle, auto-estima, habilidades para a vida e competência social.

A acessibilidade refere-se a disponibilidade potencial do pai, em virtude de ser tanto física como psicologicamente presente e acessível para a criança, com ou sem a interação direta. Exemplos de acessibilidade é a possibilidade de manter comunicação e interação mesmo em momentos de atividade como cozinhar ou olhar televisão. 

Quando ausente fisicamente é estar acessível para comunicação por telefone ou outros dispositivos eletrônicos. Pesquisa indicam que os pais são um terço menos acessíveis que as mães. 

A responsabilidade é o quanto o pai está atento ao bem-estar e cuidados dos filhos. É demonstrado quando o pai esta procurando um médico pediatra para o filho, define critério de escolha para a escola, igreja, interesse e escolha da melhor alimentação, etc. é a preocupação ou cuidado com as necessidades dos filhos.

Seu filho pode contar com o apoio dos pais quando tem problemas não importa o quanto são importantes ou graves? Ele vai ser ouvido em suas opiniões por mais inocentes ou fantasiosas que sejam?

Muitas jovens conseguem superar episódios de abuso sexual e abuso social mais facilmente se são atenciosamente recebidos pelos pais. A pressuposição da verdade, da seriedade do assunto deve ser tratada em um segundo momento. 

A presença nos estudos deve ser maior do que as frases “não faz mais do que o dever” ou “só estuda, nem trabalha”. Ajudar no dever de casa, auxiliar nos períodos de exames pode ser um fator de empatia em momentos de nervosismo na vida do filho.

Perceber momentos de introspecção e tristeza do filho como importantes oportunidades de interação e promover sua amizade. Nesses momentos podemos usar nossa sabedoria e experiências para ajudar nossos filhos a passar por essas fases. Não intervir, deixará a impressão que não empatia e que ele não pertence, que ninguém liga. Já ouvi isso de jovens suicidas.

As crianças em estágio de desenvolvimento fazem cerca de 300 perguntas por dia para as mães e pais. É muito importante que todas as perguntas, independente da idade e da própria pergunta devam ser respondidas com toda atenção e seriedade. Isso vai cimentar as vias de comunicação para a adolescência e juventude onde os pais serão a maior fonte de apoio para os filhos, caso sejam efetivas as respostas nessa fase.

Se a comunicação está em dia é mais fácil conduzir conversas explicar e punir o filho quando ele comete erros. Mostrar o que foi feito de errado é menos importante do que mostrar o que deveria ser feito para acertar.

Mostrar preocupação com o filho não pode ser simplesmente com a pergunta “como foi a aula hoje?”. Precisa demonstrar que as decisões tomadas em relação ao filho são tomadas para que ele tenha o melhor e que real preocupação com o seu desenvolvimento, seu crescimento.

Os sentimentos dos filhos devem ser cuidados com especial atenção. São expressões de sua alma e podem trazer em seu bojo informações importantes sobre o seu desenvolvimento emocional. Manter-se atento a momentos em eu somos convidados a conhecer o seu intimo, seus segredos e emoções. Nesse momento somos chamados de melhores amigos. Quanto mais aproveitamos com sabedoria esses momentos mais eles se repetem.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

MÃE Desnecessária...

Texto de Hilma Arrais


A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.


Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha.

Até agora. Agora, que meus filhos já começam a dar voos-solo sozinhos.

Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos.

Uma batalha hercúlea, confesso. 

Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.

Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.

Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso.

Ser 'desnecessária' é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também.

A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical.

A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.

Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.

Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo.

O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado,o conforto nas horas difíceis.

Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.

Ao aprendermos a ser 'desnecessários', nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar."

terça-feira, 16 de abril de 2013

Síndrome do Piloto Automático



Nos grupos de casais que lideramos (Aliança, Finanças, Educação de Filhos, ) encontramos uma característica muito comum nas famílias. Ações diárias descasadas com os objetivos de um casamento. Os casais estão vivendo em modo de “piloto automático”.

Nos casais mais antigos isso se revela em frases do tipo: “passaram vinte anos e nem vi”, “não fiz nada do que queria”, “abri mão dos meus sonhos”, “controle da própria vida”. Nesses casos a solução que os casais buscam é o divórcio. O problema identificado é o cônjuge.

Nos casais mais novos isso se revela em ocasião do nascimento do primeiro e do segundo filho. Noites mal dormidas, pouco ou nenhum sexo. Logo os conflitos e o adultério aparecem como solução, acusações mútuas e adivinhem... divórcio.

A síndrome do piloto automático é o maior mata sonhos que eu conheço. Algumas pessoas só percebem que estão fora do rumo que queriam para suas vidas vinte anos depois. E o pior, culpam os seus cônjuges.

Mas como é isso?

Bom, começa quando não se percebem as mudanças. Quando os cenários mudam são necessárias ações de transição na vida das pessoas.

A primeira grande transição é o próprio casamento. Algumas pessoas teimam em manter as mesmas atitudes do tempo de solteiras. Não vai funcionar. A segunda grande mudança e que requer ações transitórias bem planejadas é a chegada do bebê. Nesse ponto alguns casais se perdem e prejudicam muito a vida da criança.

Mas o que são ações de transição? É o resultado de um planejamento familiar que suspende temporariamente ou faz ir mais devagar projetos de vida do casal. Os objetivos pessoais não são esquecidos, nem jogados fora. Mas recebem tratamento diferenciado em tempos de mudança. Essa transição deve ser antecipada por meio de planejamento e acordo entre o casal. Ninguém deve ceder nada. A cessão é cobrada no momento do divórcio e na maioria das vezes é o próprio motivo de divórcio, o acordo não.

Outras grande mudança é a idade. Devemos planejar deixar de fazer o que fazíamos quando mais jovens e migrar para atividades de adultos. 40 anos não combina mais com mini saia, baladas adolescentes e dormir na casa da amiga. Sim, a comparação foi exagerada, mas normalmente as distorções são assim, bem absurdas.

Vai casar? Faça um curso de noivos, seguido de um curso de finanças para casais. Vai ter um bebê, faça o curso “Preparando a chegada do Bebê”. O filho cresceu? Faça o curso “Como criar seus filhos”. Prepara-se para as grandes transformações da sua vida. É sua vida! Todos esses cursos estão presentes no site da UDF, www.udf.org.br.

Só devem existir ações rotineiras na vida das pessoas se forem para cumprir objetivos de vida, sonhos, manter a saúde. De outra forma, num piscar de olhos vinte anos se passarão e sua vida foi para o ralo. E não adianta botar a culpa no casamento, no cônjuge, nos filhos.

Passe a se preocupar em viver um casamento. Faça atividades junto, como família. Passeios, filmes, oração, igreja, alimentação, estudos. Do contrário, mantenha-se solteiro. Empreenda firmemente atividades que façam você feliz, que te satisfaçam. E viva vinte anos como se fossem mil! 

domingo, 24 de março de 2013

Filho Preferido


Um dos assuntos muito falados no ideário popular e a preferência dos pais pelos filhos. Os filhos mais velhos dizem quanto ao mais novo e vice-versa: ele é o preferido!

Vou escrever com o viés das linguagens do amor. Apenas uma das facetas desse assunto.

Você quer ser amado por alguém? Descubra sua linguagem do amor.

Com os filhos funciona da mesma maneira. Se falarmos a linguagem deles eles se sentem amados, queridos, aceitos, conectados a nós. Mas se os filhos falam linguagens diferentes das suas se sentirão excluídos, fora de contexto, rejeitados e ficarão observando o ótimo relacionamento entre aqueles que falam o mesmo idioma. Assim, há a acusação de preferência.

Para evitar essa distância e esses sentimentos devemos aprender todas as linguagens faladas na casa.
Estudiosos estimam que existam mapeadas 75 linguagens do amor. Mas o autor de “As Cinco linguagens do Amor”, Gary Chapman, resumiu todas em óbvios cinco itens.

Linguagens do amor estão explicadas e listadas no Blog  http://bydebby.blogspot.com.br/2009/10/as-cinco-linguagens-do-amor.html, onde você poderá fazer um teste para descobrir a sua própria linguagem.
Mas lá em casa não tem nada disso. O preferido é meu irmão mais novo mesmo.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Bicho Papão


Outro dia passeando pelo shopping perto de casa observei a dificuldade de uma jovem mãe em controlar sua filha. Aproximei-me para estudar melhor a reação de ambas. Só que cheguei perto demais, e a mãe sapecou de bate pronto: Olha se você não se comportar o tio ali, leia-se eu, não vai gostar!

Sem pestanejar eu disse: de jeito nenhum! Estou adorando a cena pode continuar. A criança agora já não entende mais nada e a mãe mais aturdida ainda se afasta de mim.

Além de ser uma ameaça, o bicho papão é a maneira mais idiota do adulto mostrar sua incapacidade de controlar o comportamento da criança. No momento a criança não percebe esses elementos. Mas a medida que cresce, se recusa a ser ameaçada, como eu e você não aceitaríamos e se recusa a acreditar em quem sempre a ameaçou com seres imaginários inúteis. Inclua nessas mentiras o papai Noel.

Agora, o adolescente recebe instruções sobre as conseqüências do sexo inseguro, drogas, falta de estudo, trabalho, igreja, Deus e adivinhem! Não acredita em nada disso. Seu pai e sua mãe passaram sua infância todinha passando a seguinte mensagem: Vou mentir para você a vida toda!

Acreditar no que não se vê é a base das culturas religiosas. Alguns pais reclamam que os filhos não querem ir a igreja, ou participar de atividades com os pais. A verdade é que os filhos se afastam de tudo que possa transformá-lo em algo parecido com aqueles que ameaçam, não possuem autoridade e mentem.  Surpresa! Você!

Dizer a verdade, dar ordens diretas, sem gritar ou ameaçar, ser coerente é um bom começo para que seu filho passe a respeitá-lo. Adquirir sabedoria para amar o filho de tal maneira que se recusa a ameaçá-lo ou mentir para ele. Mentir não o protege e eventualmente ele vai descobrir a verdade nos lábios de traficantes, prostitutas e amigos espertinhos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Família Mosaico – Síndrome dos Dois Reinos


Contexto

Em visita a um casal de Foz do Iguaçu visualizamos, eu e minha esposa, um problema recorrente nas famílias mosaico, a dificuldade de se estabelecer a autoridade em relação aos enteados.

No casal em questão, a mãe determinou, logo nos primeiros dias de casamento, que o padrasto não ensinaria e nem aplicaria castigos ao filho, então com sete anos. Isso reduziu as possibilidades de se estabelecer um relacionamento e a capacidade do padrasto de influenciar positivamente a vida do enteado.

O padrasto, para evitar conflitos na família recém formada, aceitou a retirada de sua autoridade. No começo, a zona de conforto e ausência de conflitos parece dar a razão s essa decisão. Entretanto, isso não é bom.

Hoje com 20 anos, o filho apresenta dificuldades com sua sexualidade, relacionamentos familiares e sociais, bem como depressão. Está em tratamento com psiquiatras e psicólogos. Toma remédios controlados, não trabalha e não estuda. O desinteresse por trabalho e por estudo tem origem na incapacidade de relacionamento com pessoas e na dificuldade em receber ordens.

O conflito

A mãe retirou do padrasto a autoridade para com o enteado. A frase foi: “você não é o pai, a partir de agora você não tem que cuidar de nada do garoto.” Inicia-se a síndrome dos dois reinos.

Normalmente é assim, uma verdade e uma mentira. A verdade ampara a mentira. De fato, ele não é o pai. Mas é autoridade sobre tudo que é sua responsabilidade, todos os bens materiais da casa, bem como pessoas. Isso é indissociável.

Ao retirar a autoridade do padrasto, que assim consentiu e tem parte no problema, a mãe criou um novo reino em casa, alijou o filho de um relacionamento importante com autoridade masculina e deu poder de escolha a alguém sem parâmetros, personalidade formada e experiência para decidir, seu filho. Além disso, a mãe não conseguiu ensinar e estabelecer limites na educação do filho. Nas palavras de Jesus, um reino dividido não pode subsistir.

Conseqüências

Nesse cenário, o filho entende que a única autoridade que existe sobre si é a sua mãe.

Esta autoridade é manipulável e cede as suas vontades. Sendo assim, os professores, policiais e chefes não autoridades em sua vida. A transgressão e o desrespeito fazem parte de sua vida confortável. Deixá-lo a vontade é uma forma de amor dado pela mãe em uma tentativa de compensar a falta que um pai faz. Nenhuma mãe consegue isso. Bem como nenhum pai vai suprir a falta que uma mãe faz.

Além disso, há conflito constante. O filho se considera dono de si. Duas autoridades na casa. Isso cria um ambiente de desonra para o homem e sobrecarga para a mulher.

Desde que começamos a trabalhar com casais, nas suas diversas formações, ouvimos mulheres reclamando de sobrecarga. Esse é o resultado de assumir responsabilidades inerentes a todos os membros da família.

Ao executar atividades que são responsabilidades de outros, retiramos a oportunidade de crescimento e participação nas atividades da casa. É necessário criar um ambiente colaborativo, em que todos sabem que fazem parte de uma equipe. Sem isso, alguém vai ficar sobrecarregado.

Recebemos relatos de mulheres que estão com sobrecarga de atividades, visto que retiraram do homem suas responsabilidades, com vistas a proteger o filho e a si mesma. Cuida das finanças, da limpeza, educação dos filhos e da própria vida. Isso não é casamento. Algumas pessoas percebem isso e a conseqüência é novo divórcio.

O sentimento familiar de equipe, de amizade e de intimidade é de responsabilidade do homem.

Sem autoridade, o homem se sente pressionado, pois não consegue programar ações nesse sentido, muito menos tomar decisões. Para onde viajar, o que ver na TV, notas da escola, horário de dormir, o que comer, tudo passa por três instâncias de decisão: o pai, a mãe e o filho.

Continuamente desonrado, sem margem de manobra em sua própria casa, passa a maioria do tempo em locais onde se sente a vontade. Menos em sua casa. Passa a ser ausente, pois não é necessário.

O filho ao receber todo esse mimo, e ver toda confusão e conflito na casa, entende isso como fraqueza. E se afasta. Filhos gostam e se aproximam de pessoas com autoridade. Principalmente se essa autoridade for moral.

A primeira ilusão do homem que casa com mulher com filhos é que ele será um bom pai ou pelo menos fará esforço para isso. Isso é uma mentira.

Ele pode exercer autoridade com sabedoria e conseqüentemente ser um amigo. Alguns homens ficam tristes quando ouvem a expressão: “você não é meu pai!” Embora isso seja um fato, não deve ser motivo de tristeza. Devemos aceitar o título de padrasto e exercer todo o poder, amor e sabedoria que o cargo exige. Em algum momento de dificuldade com a mãe e o enteado, teremos a tentação de deixar de lado a autoridade. Isso é um erro terrível na educação de filhos. As conseqüências são inegáveis. E virão.

Solução
As regras para conduzir esse tipo de situação, resguardadas as exceções, são:

1º - você não é o pai, mas se for chamado assim, deixe;
2º - você é autoridade;
3º - exerça autoridade;
4º - não abra mão, em hipótese nenhuma, da sua autoridade;
5º - privilegie o relacionamento, a amizade é conseqüência e não o objetivo;

As regras acima citadas servem também para as madrastas.