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sexta-feira, 28 de junho de 2024

Papéis: Homem e Mulher

 

No modelo bíblico, Deus coloca a família com papéis de governança, da segurança, da provisão e do lar. Os dois primeiros são do homem. A governança do lar é da mulher.

O desconhecimento desses papéis e o modelo de desconstrução do homem pela sociedade está aumentando os conflitos dentro do casamento.

Para exemplificar, Deus não manda Samuel na casa de Davi, Ele mana Samuel na casa de Jessé. O pai atrai a atenção e a segurança de Deus. Ele é o ponto de segurança.

O Pai é a referência.

Deus teve mais misericórdia de Davi do que de Salomão.

Davi não tinha um pai humano como referência, o Pai de Davi era Deus. Salomão tinha Davi como referência.

E mais: Se andares nos meus caminhos, obedecendo aos meus estatutos e aos meus mandamentos, como procedia Davi, teu pai, Eu prolongarei os teus dias sobre a terra!” 1 Rs 3:14.

Para a mulher

O objetivo primordial da governança do lar é manter a paz em casa quando o homem (provedor do alimento e da segurança), estiver em casa.

O homem está plenamente preparado para a guerra na rua, no trabalho, nas relações pessoais com amigos e conhecidos, mas é despreparado para batalhas em casa. O homem foi feito para deixar suas armas do lado de fora da porta de casa. Em casa ele é tranquilo e relaxado.

Quando sai, recolhe suas armas e volta para a guerra.

O marido de Bate Seba se recusa a entrar em casa quando é chamado de volta. Ele sabe que seus companheiros estão guerreando, sangrando e morrendo e ele vai entrar em um lugar de paz absoluta. Ele não pode deixar as armas do lado de fora. Suas mãos estão firmes no propósito de guerra.

Ele não consegue misturar os dois elementos.

Se este homem que deixa suas armas na porta tem uma mulher rixosa em casa, ele é indefeso e não consegue reagir. Ele fica confuso com a guerra fora e a guerra em casa. O sofrimento emocional é terrível. A ambiguidade da situação é paralisante.

A solução para esse homem é se apegar firmemente em coisas que lhe darão tranquilidade e prazer: jogos, drogas, pornografia e bebida. Se possível em casa, senão fora.

Melhor é morar numa região deserta do que na companhia de uma mulher amargurada e briguenta. Pv 21:19

Um efeito colateral é que o homem para de desejar sexualmente sua mulher. A rixa, a guerra em casa tiram o desejo sexual e em alguns casos até há queda de testosterona. O homem é emasculado pela mulher.

Quando a situação se torna insustentável algumas atitudes conhecidas são apatia e depressão, para alguns, agressão verbal e física para outros. Mas o final é sempre o divórcio.

Aqui uma explicação. A mulher rixosa se acha superior ao homem. Ela atribui a ele fraqueza e falta de ação. Deixa claro isso nas palavras e ações. Ela diz que consegue viver sem ele. E que pode fazer e faz tudo em casa e que ele não faz nada. Ou seja, ela é poderosa na ação e na possibilidade de ação. Ela desdenha da segurança que ele pode prover quando sai sozinha ou faz tudo com independência, sem a companhia do homem.

Um outro tipo de situação é a mulher que se iguala ao homem.

Somos iguais. Dividimos a provisão e a governança da casa.

No modelo familiar só há igualdade entre irmãos.

Quando a poeira assenta, os papéis usurpados e misturados acabam com a paz e a ordem na família. Ninguém faz sexo com a irmã.

E vai mais além. Uma das pautas de um relacionamento saudável é o namoro, cortejo e finalmente o sexo. A admiração pelo corpo, pela roupa e pelo desenvolvimento da mulher é perdido. Os olhos se voltam para fora. Para mulheres que não se parecem com sua irmã.

O modelo de divisão de tarefas da infância agora se repete no casamento. O homem não tem primazia e a casa não é mais um lugar neutro, onde há paz. Agora é um lugar de tarefas e guerra. Em tempo nenhum há paz. Trabalho fora, trabalho em casa.

Para os dois casos há uma busca de um lugar de paz, uma caverna, onde a única possibilidade é o silêncio total ou muito barulho que abafe o som que vem de fora. Ou seja, a função adaptativa do ser humano, o leva a buscar algo que complete a falta de paz. Essa tentativa de cura pode o levar a idealizar, se identificar com o que considera ideal e se entregar a uma relação complementar, protetiva e poderosa, para compensar a falta de uma esposa e de paz. Isso é ruim, pois A busca por paz não deve ser uma fuga da realidade, mas sim uma busca consciente por harmonia interior.

 Para o homem.

 Ao homem ficaram duas propostas interessantes. Provisão e proteção.

A provisão não pode ser substituta da segurança. Dar um carro para esposa não exime a presença do homem no dia a dia da mulher. Ou seja, a possibilidade ou necessidade da esposa andar sozinha é uma exceção. O homem deve ser capaz de investir tempo para caminhar junto em toda jornada feminina.

A provisão não é dar tudo que ela quer. É necessário avaliar a necessidade em razão da possibilidade. Mimar demais não é bom para ninguém. Nem filhos, nem esposas. Dar coisas pode ser um carinho gostoso, mas não substitui relacionamento intenso.

A mulher é um pouco mais complexa que o homem. Se as outras funções não forem cumpridas, dar presentes viagens e mimos pode ser um tiro no pé. Ela não se sentirá mais amada, pelo contrário, a sensação de abandono será maior. O equilíbrio nesse caso é primordial. Quando presenteada ela se sentirá especial.

Quanto à segurança, ela se divide em dois: Possibilidade e presença.

Se o homem for fraco fisicamente e emocionalmente, não consegue desempenhar sua função de proteger. As ameaças são vencidas pela esposa sozinha. E ela não nasceu para isso. Por isso, um homem deve se preparar fisicamente em academia e lutas.  Si vis pacem, para bellum.

Mas como proteger se não anda junto. Muitos maridos desprotegem a esposa deixando de conviver no dia a dia externo a casa. Pode ser forte, pode ser perigoso, mas à distância ninguém é protegido. Se o homem não pode ir, a mulher deve ficar. Claro que existem exceções. Mas devem ser isso, exceções.

Há mulheres, por omissão dos homens, enveredam pela independência diária. O estresse e o cansaço serão os efeitos colaterais. Vejo mulheres indo a psicólogos e tomando remédios por assumirem funções de provisão e segurança.

Novamente aqui a sensação de abandono, desamor e abandono. Essa independência não é benéfica. Dá para a mulher a falsa sensação de poder e segurança. E em algum momento ela pode pensar que o homem não é mais necessário. Também pode sentir que seu parceiro é inútil e fraco. Aqui o desinteresse sexual pode ser um efeito colateral na relação. Pode passar a procurar alguém que supra essa lacuna em sua vida.

A falsa sensação de poder causa alguns efeitos colaterais. Mulheres não respeitam homens fracos. Gritam, falam coisas desrespeitosas, são desleais e até infiéis. Ninguém quer andar ao lado de um fracote.

Proteger as emoções é o maior desafio de um homem. Manter a esposa dentro dos limites saudáveis de viver também passa por manter rotinas saudáveis de alimentação, exercícios e consultas médicas. Além de manter comunicação intensa e conversas saudáveis sobre todos os assuntos e não só frivolidades.

A ausência masculina na área emocional é perigosa. A mulher precisa de uma missão alinhada com a missão do homem. Se o homem não tem missão, o casal anda como barata tonta na vida. A missão guia resultados e tudo na vida do casal se volta para isso. As emoções são ligadas a isso. Comemorar quando alcançamos ou chegamos perto do nosso objetivo como casal. Ficar tristes juntos quando fracassamos. E entender a fonte de tristeza e alegria.

O emocional da mulher pode fluir com frequência inesperada, mas o homem deve estar atento para isso, não para se submeter, mas para agir em contenção ou acolhimento. Deixá-la sentir sozinha a fará ter pensamentos malignos e descontrolados o que leva a sensação de solidão de novamente, abandono.

Sem provisão e proteção teremos mulheres histéricas, descontroladas e frequentemente cansadas, com sobrepeso, desleais, infiéis, desleixadas, gritonas e desrespeitosas.

Tudo isso fruto de um homem que não age como homem.

Como mudamos isso?

Mudando crenças básicas sobre si mesmo, o mundo e os outros é possível alterar emoções e comportamentos. As crenças a serem exploradas é de como vemos Deus e como nos vemos como filhos de Deus.

terça-feira, 22 de agosto de 2023

Casados com os Pais

Fui procurado para aconselhar um casal de noivos sobre seu casamento. 

Namorados de bom tempo, fizeram inúmeras perguntas e conversamos bastante. Ao final fizeram uma pergunta recorrente na minha vida.

Acha que devemos casar?

Não foi a primeira vez que respondi "não", mas foi a primeira vez que não ficaram com raiva de mim.

A primeira pergunta sempre vem com uma segunda, mas porquê?

Nesse caso específico percebi que ainda tinham muitas raízes dolorosas em relação a família. Nada resolvido, tudo muito à flor da pele. Propus um caminho alternativo para que percebessem sozinhos que não poderiam casar pela quantidade de diferentes crenças e problemas que carregavam consigo. Para minha surpresa, concordaram e foram embora.

Encontrei novamente com eles essa semana. E após dois anos me pediram ajuda para salvar o casamento. Para começar nem sabia que isso tinha acontecido e fiquei realmente surpreso. 

Minha primeira pergunta foi... Fizeram o que pedi?

Se entreolharam e balançaram a cabeça negativamente. 

Existem momentos na vida que todos sabemos que algo vai dar errado e mesmo assim vamos em frente. O casamento é o mais comum. Quando noivos, não vi ninguém seguir o conselho de não casar, mesmo com todas as evidências que aquilo não vai dar certo. Eles perceberam que uma breve conversa sobre assuntos simples como sexo, trabalho e dinheiro, os faria desistir. Agora querem tentar salvar o casamento.

Ele filho de pais separados, criado pela mãe, com muitas dificuldades financeiras, mas criado mimado pela mãe e irmã.

Ela filha de pais ainda casados, mas o pai tem outra família que é de pleno conhecimento de todos.

Nem preciso escrever mais.

Ela entende que mulher não deve servir e que todas as atividades da casa devem ser divididas. Ele não diz que não, mas espera ser servido o tempo todo.

As dores e feridas vieram a tona, mas não aceitaram conserto. Dolorido demais. 

Assim, alguns meses depois e consultas a outros conselheiros, separaram.

Casais que não resolveram suas questões familiares não são bons esposos, esposas e pais. Alguns poucos realizam um bom trabalho, mas o esforço nunca compensa os resultados. Fico preocupado com a cultura de casamentos arranjados e feitas às pressas. Também a falta de pessoas que digam realmente a verdade para os casais. Muitos nem deveriam namorar. 

O passado é o maior assassino de casamentos. Principalmente as dores, sentimentos e problemas da família. O perdão, o amor e a renúncia a dívidas são os maiores resgatadores de maridos, esposas, filhos, pais e mães. Sem isso, só desastres.


domingo, 8 de março de 2020

Feminismo x Mulheres da Bíblia

A preguiça na leitura da palavra de Deus tem proporcionado o avanço de filosofias estranhas ao modelo deixado por Cristo.

O feminismo é um deles.

As feministas fazem declarações do tipo: "ele tem dois braços e duas pernas", "não sei fazer isso e aquilo", "não dou conta", "meu marido também tem que fazer". Que me parece uma demonstração de querer fazer menos. Uma criancice. Como fazíamos com nossos irmãos, com aquela pergunta para nossa mamãe "porque eu e não ele" . Uma evidência fútil da preguiça, infantilidade e negação do valor do servir à família.

Na Bíblia, o modelo feminino é diametralmente oposto. Tanto homens como mulheres se esforçam para fazer mais. Procuram demonstrar valor e trabalho árduo o tempo todo.

Josué tem uma conversa com Deus e pede permissão para conquistar uma terra para sua tribo. isso com 85 anos.

Maria, Rute, Tabita, Priscila, apenas para citar algumas, eram trabalhadoras incansáveis, trabalhavam, cuidavam do marido e da casa e ainda tinham tempo para a obra de Deus e até ajudam aos pobres, órfãos e viúvas.

No capítulo 2 de Tito há menção da importância do trabalho em casa e sua relação com Deus.

1 Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina.
2 Os velhos, que sejam sóbrios, graves, prudentes, sãos na fé, no amor, e na paciência;
3 As mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras no bem;
4 Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos,
5 A serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada.
Onde acharemos a mulher virtuosa no meio dessa geração preguiçosa e blasfema. Bendito é o homem que busca com paciência e escolhe se casar com tal mulher.
Todos os exemplos do texto , tanto de homem, quanto de mulher são exemplos de querer mais, fazer mais, buscar mais, adorando a Deus com trabalho duro.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

O Google já sabe quem vai se divorciar





O Google já sabe quem vai se divorciar. Possui algoritmos para prever isso.

Sabe quem trai e quem vai trair.

A Bíblia nos ensina elementos claros a respeito de casamento e modelos que nos remetem ao sucesso. A Bíblia chama isso de "Antigas Veredas de Deus". Tecnologia Celestial.

Entretanto, no que diz respeito a casamento, primeiro escolhemos nosso parceiro e depois ajustamos as premissas bíblicas a essa escolha. Começa errado e na minha visão nem começa.

A legalidade de um casamento tem por base principal, a visão de que ele deve glorificar a Deus. Ou seja, seu objetivo principal é na direção do Criador. Sem isso, existe uma certeza de fracasso. O resultado desse tipo de união são filhos que não acreditam em Deus, divórcio e queda do modelo moral da família como um todo, estabelecendo um modelo amoral, ateu.

Alguns cristãos legalistas ficam presos a formalidade do casamento. Tem um pastor, igreja, os dois são crentes, festa, etc, entendendo que isso atribui legalidade para essa união. A participação de Deus depende exclusivamente da motivação interior dos cônjuges em missões espirituais comuns e com intuito de adorar. Sem isso, embora tenha todos os elementos de legalidade presentes é apenas uma união de duas pessoas com boas intenções. Mas ainda assim um casamento que carece da presença de Deus, ou seja ilegal.

Não vou discorrer sobre pessoas que vivem no pecado do sexo ilícito e querem com a formalidade da cerimônia "acertar as coisas". Tão longe de Deus como qualquer outro que acreditam na legalidade do ritual. 

Existe a necessidade premente que os líderes ensinem essa verdade. Deus não estará em processos forjados para legalizar o pecado ou ajeitar situações na igreja. Há pecado. Há necessidade de arrependimento. Perdão.

Depois dessa escolha, não há correção humana possível. Dinheiro e filhos se misturam com mágoas e tristezas. Acusações. Novos caminhos. Novos problemas.

A tentativa de correção gera mais problemas. 

Ficar ou sair. Problemas diferentes para uma mesma causa. Um casamento ilegal.

A segunda premissa de um casamento cristão é a missão em um ministério, identidade e destino. Desse assunto trato no próximo texto.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Casei de Novo e Agora?

http://www.amazon.com.br/Casei-Novo-Agora-Meus-Nossos-ebook/dp/B00QTSG3TY/ref=sr_1_4?ie=UTF8&qid=1418245711&sr=8-4&keywords=casei

Esse livro trata de famílias que se constituíram de dois ou mais casamentos. Filhos de mais de um casamento que se encontram. Um grande desafio.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Duas Mulheres e um Casamento


Vasti significa “a mais bela”. Ester, “estrela”.
O casamento é um divisor de águas na vida de muitas pessoas.
Mas não é o ponto alto. Existem mulheres que ficam presas nesse momento maravilhoso, tanto por antecipação, no caso das solteiras ou como âncora no caso das casadas.
É um momento de transição.
Quando um homem escolhe uma mulher para casar, essa mulher é Vasti.
Vasti é bonita, desejada, almejada, é a melhor mulher do mundo para aquele homem.
Ela se sente assim.
Entretanto, no dia seguinte ao casamento a agora esposa deve se transformar em Ester.
Os atributos mais abundantes nessa fase devem ser a sabedoria, o domínio próprio e o respeito.

Mas e se a mulher não fizer a transição?

As consequências são terríveis.
Tristeza, depressão, insatisfação, sobrecarga e divórcio
Ester, ao contrário de Vasti, não é ansiosa no falar e no proceder.
Ester sabe o que é necessário fazer e não deixa a importância e a criticidade dos seus afazeres influenciarem na sua capacidade de discernir o certo e o errado e em sua sabedoria.
Respeitosamente e cuidadosamente ela se aproxima do marido e conduz o assunto com cuidado e delicadeza. O modo como o assunto foi conduzido foi determinante para o seu sucesso. E esse estilo de administrar crises, se mantido vai garantir que outros problemas sejam resolvidos com êxito.

Como Vasti conduziu seu conflito?

Vasti desobedeceu e mediu forças com seu marido. Ser desobediente é um dos maiores defeitos para quem quer ser líder. Além de ser ofensivo a Deus.

Medir forças na solução de conflitos como padrão de comportamento faz com que o esforço de viver seja mais duro, pesado. Toda questão se torna uma batalha e no final muita frustração, dor e cansaço.
Vasti partiu da premissa que era bonita e forte. Ester partiu do pressuposto que era bonita e sábia.
Essa posição suaviza as relações independente da crise que esta acontecendo. Todas as questões e crises seguintes encontram pessoas dispostas a compartilhar as experiencias, usar de cuidados entre si na tomada de decisão.

Isso torna a vida mais leve, confortável e satisfatória, além de agradável aos olhos de Deus.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Tá faltando pai no mercado....

A ausência do pai que é vivo na vida de um filho é descrita pelos especialistas em relacionamentos familiares como mais prejudicial que a morte do pai.

O pai do assassino norueguês Anders Behring Breivik, ex-diplomata que se mudou para a França para se aposentar se descreve como um pai ausente. Ele está publicando um livro chamado “Minha culpa?” em que examina sua responsabilidade no massacre de 69 pessoas na Noruega.

Quando um pai se divorcia ele terá dificuldades de exercer todas as atividades de pai e diminuirá grandemente a presença e acompanhamento do filho. Isso aconteceu com Anders.

Alguns pais tentam se eximir dessa culpa e justificam dizendo que farão tudo para compensar o filho pela sua ausência. Sou filho e pai. E digo com todas as palavras: Nada compensa a ausência de um pai na vida de um filho. Acordar e levar para o colégio, almoçar junto e ter atividades em casa diariamente e no fim-de-semana é fundamental para a construção da personalidade do futuro adulto.

Abrir mão da família por meio do divórcio é um meio fácil e cômodo de tentar se livrar de problemas, pelo simples fato que dois adultos não conseguem resolver diferenças e desavenças. Os filhos são os maiores prejudicados. Mas sempre tem alguém que acha uma justificativa para amenizar a própria culpa. Vejo isso o tempo todo.

Pode ser que um dia os filhos sejam considerados um bem inestimável da humanidade e esse valor determine a força que os pais devem empregar no sentido de o educarem juntos em um só casamento.

Pode ser que um dia as pessoas considerem a felicidade e a harmonia de um ser em formação antes de tomarem posições destrutivas para a família.

Pode ser que um dia as pessoas tenham mais fé em Deus.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Pós-parto e Divórcio


Pós-parto e Divórcio

Ano passado, acompanhamos o nascimento de bebês em várias famílias. Para nossa surpresa a alegria da chegada de um novo membro da família nem sempre era duradoura.

Por incrível que parece esse evento tão comum e que se repete desde o início dos tempos ainda traz problemas para as famílias modernas, o que me causa espanto.

O primeiro elemento que observei é que com a informação disponível (google) facilmente e ao alcance da mão, as pessoas estão cada vez mais despreparadas. Existem inúmeros cursos e livros para sobre o assunto, mas os casais se recusam a se preparar de forma adequada. Alguns até rejeitam abertamente, dizendo que já sabem tudo sobre o assunto.

Outro item que deve ser levado em conta é a facilidade do divórcio. Tendo em vista essa facilidade, os casais não empreendem os esforços necessários para resolver problemas e conflitos que surgem nessa nova fase da vida deles. Preferem a via fácil, ou aparentemente fácil.

Além disso, a capacidade de se adaptar a novas rotinas, com a chegada do Bebê, traz desafios que as pessoas não querem superar. É necessário que saiam da zona de conforto, se adaptem, se superam. Preferem abandonar-se emocionalmente e mutuamente.

“e há tempos são os jovens que adoecem” é uma frase de uma canção que indica a parte mais prejudicada dessa equação. São crianças que se transformam em jovens e logo em adultos. Privados de toda construção emocional necessária à formação de um ser humano, são desafiados o tempo a superar obstáculos sem as ferramentas necessárias para tal tarefa.

E o ciclo se reinicia.

Mas só até que alguém se recuse a repeti-lo.

Quem sabe você.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Casados para Sempre?

Todo ano, alguém que conheço se separa e comprova as pesquisas que dizem que cada vez mais as pessoas estão deixando suas famílias para trás.
As desculpas e justificativas são as mesmas sempre.
"Não sou feliz" - clássica.
"Você não me faz feliz mais..." - sim, a culpa é sua agora.
"Incompatibilidade de gênios" - genérica e clássica.
"Não há mais respeito" - há adultério e muito palavrão nessa.
"O importante é ser feliz" - começou nessa década.

Isso sem contar o adultério.

Mas o que mais me dói são as frases de senso comum do tipo "casamento não é para toda vida, os filhos sim" e "vou ser presente na vida deles(filhos)".

Analisando as estatísticas do IBGE, o divórcio aumentou 15 vezes de 1940 até 1990. 

As expressão deixando a família para trás é mais que verdadeira e não é dura. A verdade tem que ser dita pois todos amenizam o verdadeiro caráter do divórcio. É abandono sim, é covardia, fuga. Aprender a lidar com as questões conjugais, fazer cursos, estudar possibilidades, buscar ajuda especializada foi substituído pela facilidade de abandonar, jogar fora a família.

Tenho acompanhado famílias de primeiro e segundo casamento há mais de 10 anos e os problemas são semelhantes na natureza e maiores em número e complexidade para os de segunda união. As pesquisas apontam problemas financeiros para os separados muito maiores que para os de primeira união. Ser feliz vai ser mais difícil para o divorciado. 

Ontem mesmo, ouvi dois colegas conversando e um aconselhando ao outro.
- Cara separa dá trabalho e não resolve. Muito pior separado. Resolve isso e fica como está!

Creio que há um movimento por percepção, de que separar é pior. Isso é bom, pois é verdadeiro.

O movimento "o é importante é ser feliz" devia ser fuzilado no paredão. É uma frase que faz as pessoas cada vez mais infelizes, pois a felicidade não alcançada dando as costas para seus filhos e cônjuge. A felicidade se constrói com sangue suor e lágrimas. A zona de conforto é o inferno do casal.

Cuidar, se esforçar, lutar, são palavras do passado. Hoje o negócio e jogar fora e comprar algo novo, consumismo. Construir nova família sobre as cinzas e o sangue da família anterior.

Hoje os homens são mais arrependidos e as mulheres as mais infelizes. Os dois grupos são unânimes e dizer que gostariam de matar os "amigos" que os aconselharam a separar.

Alguns homens que disseram que seriam presentes na vida dos filhos, viram seus rebentos chamarem outro de pai. Veem seus filhos honrarem a outros. Amarem a outros. Você consegue ser mais infeliz do que isso?

As mulheres separadas estão sobrecarregadas com a missão de serem pai e mãe, o que é impossível ou simplesmente abandonam seus filhos a própria sorte. O mundo os educa. 

Se vai separar agora. Pense pois até agora não vi um casal que tivesse um problema no casamento. Vi pessoas com problemas pessoais. Esse problemas vão com você para os próximos relacionamentos. Boa sorte! Você vai precisar.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Síndrome do Piloto Automático



Nos grupos de casais que lideramos (Aliança, Finanças, Educação de Filhos, ) encontramos uma característica muito comum nas famílias. Ações diárias descasadas com os objetivos de um casamento. Os casais estão vivendo em modo de “piloto automático”.

Nos casais mais antigos isso se revela em frases do tipo: “passaram vinte anos e nem vi”, “não fiz nada do que queria”, “abri mão dos meus sonhos”, “controle da própria vida”. Nesses casos a solução que os casais buscam é o divórcio. O problema identificado é o cônjuge.

Nos casais mais novos isso se revela em ocasião do nascimento do primeiro e do segundo filho. Noites mal dormidas, pouco ou nenhum sexo. Logo os conflitos e o adultério aparecem como solução, acusações mútuas e adivinhem... divórcio.

A síndrome do piloto automático é o maior mata sonhos que eu conheço. Algumas pessoas só percebem que estão fora do rumo que queriam para suas vidas vinte anos depois. E o pior, culpam os seus cônjuges.

Mas como é isso?

Bom, começa quando não se percebem as mudanças. Quando os cenários mudam são necessárias ações de transição na vida das pessoas.

A primeira grande transição é o próprio casamento. Algumas pessoas teimam em manter as mesmas atitudes do tempo de solteiras. Não vai funcionar. A segunda grande mudança e que requer ações transitórias bem planejadas é a chegada do bebê. Nesse ponto alguns casais se perdem e prejudicam muito a vida da criança.

Mas o que são ações de transição? É o resultado de um planejamento familiar que suspende temporariamente ou faz ir mais devagar projetos de vida do casal. Os objetivos pessoais não são esquecidos, nem jogados fora. Mas recebem tratamento diferenciado em tempos de mudança. Essa transição deve ser antecipada por meio de planejamento e acordo entre o casal. Ninguém deve ceder nada. A cessão é cobrada no momento do divórcio e na maioria das vezes é o próprio motivo de divórcio, o acordo não.

Outras grande mudança é a idade. Devemos planejar deixar de fazer o que fazíamos quando mais jovens e migrar para atividades de adultos. 40 anos não combina mais com mini saia, baladas adolescentes e dormir na casa da amiga. Sim, a comparação foi exagerada, mas normalmente as distorções são assim, bem absurdas.

Vai casar? Faça um curso de noivos, seguido de um curso de finanças para casais. Vai ter um bebê, faça o curso “Preparando a chegada do Bebê”. O filho cresceu? Faça o curso “Como criar seus filhos”. Prepara-se para as grandes transformações da sua vida. É sua vida! Todos esses cursos estão presentes no site da UDF, www.udf.org.br.

Só devem existir ações rotineiras na vida das pessoas se forem para cumprir objetivos de vida, sonhos, manter a saúde. De outra forma, num piscar de olhos vinte anos se passarão e sua vida foi para o ralo. E não adianta botar a culpa no casamento, no cônjuge, nos filhos.

Passe a se preocupar em viver um casamento. Faça atividades junto, como família. Passeios, filmes, oração, igreja, alimentação, estudos. Do contrário, mantenha-se solteiro. Empreenda firmemente atividades que façam você feliz, que te satisfaçam. E viva vinte anos como se fossem mil! 

segunda-feira, 18 de março de 2013

Rejeitados


A rejeição é um dos males que me causa maior tristeza.

É como uma doença que nunca se satisfaz. A pessoa que sofre com pensamentos de rejeição não consegue receber o carinho e por vezes confunde o próprio carinho com rejeição.

O sentimento é de que não há lugar no mundo que seja bom, que encaixe em sua vida. As pessoas não aceitam o seu ser. Se sente sempre julgada, nunca amada. A tristeza e a angústia são terríveis.

Todo o amor que damos não é sequer percebido. O esforço daqueles que cercam a pessoa que se sente rejeitada não é percebido e elas se cansam.

E sua origem? Bom, conheci pessoas que foram rejeitadas já no útero materno. O pai ou a mão tinham sentimentos ou expressavam algum tipo de desamor pelo novo ser em formação. Outros já em idade maior adquiriram esse mal com o divórcio dos pais, palavras e ações de autoridades como professores e parentes próximos.

Conheci uma moça que nasceu durante uma tentativa de aborto. Nasceu de sete meses após diversas tentativas da mãe dela de abortá-la. Seu pai não a conheceu nem procurou.

Anos depois ainda busca aprovação masculina por meio de relacionamentos sexuais e namoros incontáveis.

A minha maior dor é que os pais e mães não se preocupam com isso como deveriam.

Tratar a rejeição passa pelos pais. Devem ser ativos no tratamento e cura do filho. 

Se você se sente rejeitado por alguém busque ajuda. Não fique remoendo sentimentos destrutivos dentro de si. Isso leva a uma morte lente por asfixia da alma.

Existem seminários, estudos, cursos e pessoas especializadas nessa área. No site da UDF.org.br existe um seminário chamado 'Fortalecendo Relacionamentos', que pode ajudá-lo. Pare de sofrer, lute.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mudança de Comportamento Requer Treinamento

Há alguns anos atrás convivemos com um casal financeiramente falido, em vias de se divorciar e com problemas com os três filhos.

Ao perceberem que deveriam mudar o modo como conduziam suas vidas ao invés de se descartar como família resolveram aprimorar suas habilidades como pais, esposo e esposa e como mantenedores da casa.

Fizeram conosco os cursos Como Criar seus Filhos, Aliança e o de Finanças.

Nos reencontramos cinco anos depois. Outro casal...

Um apartamento em Brasília, outro no Rio de Janeiro. Moram na beira da Praia, ele trabalha a duas quadras do trabalho e ela aproveita o dia na academia, passeios e shopping.

Os filhos passaram por média e tem as melhores notas das turmas que participam e estão ativos na igreja.

Eles tinham duas opções em vista: divórcio ou investir na família.

Foram dois anos de cursos e seminários, muitas ministrações e orações.

Valeu a pena...

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Pais Preguiçosos


Selma e Jorge estão casados há 10 anos e tem inúmeros problemas conjugais. Mas o maior problema deles é uma zona de conforto que só existe na mente deles. Eles discutem o tempo todo por dinheiro, lazer, televisão, política, educação dos filhos e seu próprio relacionamento.

Para justificar, para amigos e parentes, a sua falta de atitude diante das questões que os afligem, eles utilizam os filhos. Não separamos por causa dos filhos. Como se essa fosse à única solução possível.

A preguiça, inépcia, ou seja lá o que for, para investir no relacionamento conjugal e com os filhos fica escondida por trás de uma aparente ação humana. Proteger os filhos. Pesquisas demonstram os filhos que convivem nas mesmas casas com os pais e estes são emocionalmente ausentes, sofrem mais do que os órfãos.

Faz sentido. As ações diárias de convivência falam forte. É necessário abrir mão da televisão, internet, pós-graduação, mestrado e trabalho para sentar com mulher e filhos e travar conhecimento. O egoísmo, a preguiça e ausência de habilidade emocional são alguns estilos de vida dos pais que temos observado. Às vezes vejo isso em mim. É necessário estar vigilante e ser cuidadoso com as pessoas do convívio pessoal.

Carinho, amabilidade, olho no olho nas conversas, tom de voz, contato físico, atividades ao ar livre e tempo de qualidade são alguns itens que devem ser praticados com freqüência no trato familiar. A ausência destas atividades pode criar barreiras entre os membros da família que, com o tempo, podem se tornar intransponíveis.

Ou seja, pais preguiçosos também são hipócritas.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O Divórcio Não é uma Crise Temporária


Entre os chavões que mais detesto para justificar uma ação de ruptura como o divórcio é que vais passar, pois é uma crise temporária.

Não vai passar.

A autora de Best Sellers Judith Wallerstein estudou crianças cujos pais se separaram na década de 70 e concluiu que as conseqüências do divórcio se estendem por décadas na pessoa dos filhos e em seus relacionamentos.

Os pais justificam para si mesmos que os filhos os perdoarão e que farão tudo para minimizar as conseqüências do divórcio em suas vidas.

Entretanto, a infância é duramente afetada, segundo estudos, nas áreas financeira, emocional, sexual e espiritual do futuro adulto. Ou seja, erros dos pais, conseqüências nos filhos.

Já tenho visto um movimento, tímido, mas existe, de pessoas que perceberam que dá trabalho se divorciar e que é melhor resolver o problema. As pontas soltas em um divórcio são inúmeras.

Do ponto de vista econômico, os filhos vêem seu conforto e condições de alimentação e segurança decaírem. O pai contrai uma dívida em longo prazo, que persiste quando casa novamente. Se casar novamente, a nova família passa a ter como sócios os membros da família anterior. Essa sociedade é injusta para todos.

Além disso, os pais podem cair no lugar comum de usarem os filhos como instrumento de dor contra o outro, síndrome chamada de “Alienação Parental”, ou mesmo em outra chamada ”Síndrome da compensação”, a vida de todos vira um inferno. Se os envolvidos não forem maduros, novos divórcios se formam, homens deixam seus lares por não aguentarem a pressão.

Interessante que ao acompanhar alguns casais desde a sua formação vejo que tudo o que fazem é criar desculpas para conseguir o que querem.

Quando os pais aconselhavam a não casar, havia mil motivos, ele é bonito, charmoso, atencioso, inteligente, trabalhador, tem situação estável, etc...

Para separar ele é chato, não trabalha, nem se importa comigo, é estúpido, não cuida do corpo, etc...
Percebi então que é tudo um viés. Pessoas mimadas, acostumadas a ter tudo sem se importar com as conseqüências de suas decisões nas vidas dos outros. Da desonra contra os pais, até os problemas emocionais nos filhos, nada disso importa. Apenas seus desejos. Dizem que: O que importa é ser feliz!

Nem que se seja sobre os escombros das vidas de outros.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Família Mosaico – Síndrome da Compensação


Conceito

Família mosaica compreende a fusão de duas ou mais famílias oriundas de divórcio ou viuvez. Podem ou não existirem filhos de casamentos anteriores.

Nessa nova formação social podem coexistir irmãos, meio-irmãos e não-irmãos. Além disso, independente da convivência, a lei considera os enteados, parentes, em linha reta, descendente de primeiro grau, o filho cônjuge de outras uniões (CC, art. 1.595, § 1.º).

Na família tradicional a formação é definida e as autoridades são plenas de reconhecimento, ou seja, o pai e a mãe são indiscutivelmente as autoridades da casa, ensinam e aplicam punição na periodicidade necessária.

Na nova formação são necessários ajustes e uma comunicação entre os novos e antigos cônjuges afinada. A possibilidade da existência de pai e mãe, padrasto e madrasta abre a necessidade definição de alçadas e responsabilidades. Ou seja, quem faz o quê.

A clareza nas atribuições vai facilitar a resolução de conflitos e incidentes que podem ocorrer nos primeiros anos de coexistência.

Contexto

Com a ascensão do número de famílias mosaico ficou mais fácil de observar um evento que é muito mais comum que se imagina. No último censo realizado pelo IBGE, em 2010, foi levantado que a família mosaica ou família reconstituída como instituto preferiu chamar, existe em 16,3% dos lares de casais com filhos, ou seja, 4,446 milhões de lares nessa situação. Em 1,9 milhões de lares, existem filhos de outras uniões.

Com a popularização do divórcio e a facilidade que foi instituída pela união estável, vemos multiplicar o conjunto de possibilidades de formação familiar. Relacionamentos começam e terminam com ou sem filhos, em poucos meses. Isso proporciona um sem fim de pessoas que trazem consigo uma bagagem de outros relacionamentos, bem como seus filhos, o que nem sempre é positivo. É um aprendizado baseado em tentativa e erro.

A nova formação carece de cuidados.

O primeiro conflito

O primeiro conflito antecede a formação da nova família. Os pais, bem como os filhos, se sentem culpados. Os pais desenvolvem um desvio comportamental, a síndrome da compensação. Ou seja, a necessidade de pais e mães, muito mais observados em mães, de compensar o filho, pelo do divórcio. De alguma forma os pais creem que precisam compensar o filho pela ruptura da família.

O filho por outro lado, necessita de segurança. Todos os alicerces que ele considerava eternos e infalíveis caíram. Mamãe não ama o papai e papai não ama mamãe. E tudo isso parece ser culpa dele.

Não é possível compensar o filho, com presentes, dispensa de suas responsabilidades, exclusão dos limites e ausência de punição. Ele precisa de amor e que sua rotina volte ao normal o mais rápido possível. Ele não se sente compensando, na maioria das vezes o sentimento presente é de traição.

Isso é o que tem sido a temática nas discussões sobre ensino e disciplina dos filhos, tanto nos casais separados quanto nos novos casais que formam da união de duas ou mais famílias.

Normalmente um dos pais ou os dois passam a se comportar como se o filho fosse um reizinho na casa. O que afeta a todos. Inclusive avós.

A criança fica confusa porque tem que dormir cedo em uma casa e amanhece navegando na internet na outra. Tem alimentação vegetariana em uma casa e lanche rápido em outra. A criança requer padrões bem definidos. E se rebela quando eles não estão bem desenhados.

Alguns filhos se adaptam e se tornam hipócritas apresentando comportamentos adequados para cada situação que se apresenta. Falam palavrão em uma casa, mas, na outra não.

Outros ficam confusos e apresentam sintomas de rebeldia ativa negando-se a seguir qualquer ordem.

Observamos nas duas situações que os filhos tendem a se envolver com drogas e bebidas alcoólicas, bem como apresentar sexualidade exacerbada.

Além disso, alguns pais usam os filhos como instrumento para se ferir mutuamente. A criança em formação adquire feridas emocionais profundas com esse comportamento.

Comportamentos indesejáveis dos pais em relação aos filhos:

- Mandar recados cheios de ódio e ressentimento para o ex-cônjuge;
- expor informações jocosas que eram intimas durante o casamento;
- desonrar, ironizar ou manifestar-se contra todas as ações do ex-cônjuge;
- desfazer a imagem de pai/mãe ou mesmo de autoridade do ex-cônjuge;

Os ressentimentos e conflitos entre os pais durante a separação são infecciosos. Devem ser mantidos distantes dos filhos. Isso não quer dizer que os filhos sejam alijados de informação.

Toda informação sobre o assunto deve ser transmitida com clareza e sem o viés do julgamento. Toda a força em culpar um ao outro se volta para a criança, que recebe como um fardo. Fica obrigada a se posicionar, tomar partido. Ninguém deveria ter que passar por isso. É muita pressão.

O Ambiente familiar desconfigurado

A situação piora quando entra em cena outra autoridade. O padrasto ou a madrasta. Além deles, outros atores entram em cena. Irmãos! No começo são chamados: “filhos do padrasto”.

Para a criança em crescimento a única autoridade conhecida é papai e mamãe. Agora uma figura diferente, que se apresenta como autoridade para lhe ensinar, dar ordens e punir.

Quanto aos novos irmãos, tem que dividir a casa, a mãe e as atenções com alguém que mal conhece. Enquanto o pai ou a mãe namorou, conheceu e estabeleceu um relacionamento de confiança que resultou em novo casamento, os “irmãos” simplesmente aparecem.

Se não há uma uniformidade de crenças e ensinamentos entre todos, a criança fica a mercê de um sistema de confuso de ordens e conceitos desencontrados. A criança passou por momentos de incerteza e insegurança na ocasião da separação dos pais. Agora mais confusão! Podemos encontrar aqui alguns sentimentos de raiva e ciúme.

As conseqüências

Essa criança se sente sempre imperfeita, não consegue se encaixar em todos os padrões exigidos, não alcança as exigências. Ela se sente só, abandonada. Vai abraçar o primeiro que a adotar. O primeiro que entender o que ela está passando.  Pode ser um melhor amigo ou um traficante. Melhor que seja você, papai ou mamãe.
Alguns se isolam, passando longos períodos trancados no quarto. Outros, evitando as atividades familiares com almoço, festas, igreja, etc...

O resultado pode ser visto com problemas de bulimia, anorexia, tristeza, depressão e suicídio. Alguns têm tentativas de suicídio que os pais desconhecem.

A solução

A integração entre os familiares na formação da nova família nem sempre é rápida como os pais desejam. O pesquisador James Bray descobriu que famílias mosaico levam de três a quatro anos para pensar e agir como família. As pesquisas apontam esse tempo para famílias com filhos em pouca idade e com pais que investem fortemente em relacionamento.

Famílias mais lentas, com filhos mais velhos e pais não tão comprometidos levam mais de sete anos para se integrar e manter intimidade e autenticidade nas relações dos enteados com os padrastos e madrastas.

Em várias situações encontramos homens e mulheres que gostariam de ter sido avisados da complexidade de um segundo casamento. Os casais relatam que o novo casamento não parece em nada com o primeiro, no que diz respeito a relacionamentos, dinheiro e espiritualidade.

O início é lento e as relações vão crescendo à medida que os anos passam. No caso da família mosaico, existem fundamentos que precisam ser destruídos e reconstruídos no intuito de estabelecer um novo padrão familiar. A vida de todos está em pleno andamento. O número de parentes multiplica. Aniversários em família são ricos em avós, tios e primos. Existem conflitos em andamento e novos vão surgindo.

Os pais separados com novas famílias ou não precisam uniformizar suas condutas e procedimentos. Planejar mutuamente o ensino e a condução de seus filhos. Isso vai minimizar o desconforto e confusão que a criança ou jovem está passando. Vai amenizar os conflitos.

Deixar de lado as diferenças e questões pessoais em prol dos filhos pode ser uma pontinha de compensação que você tem pensado em dar ao seu herdeiro.

Nesse ponto a comunicação entre todos os intervenientes da vida da criança tem que ser efetiva. Nada pode ficar no ar. As informações incompletas, desencontradas ou omitidas viram fantasia na vida da criança ou jovem. Ela começa a imaginar que não é amada, querida e que está fora do contexto familiar. Ela tem necessidade de pertencer a um grupo uniforme, perene em que seja aceita como é.

Nesse ponto começa imaginar que não é.

Passa a buscar outros grupos fora de casa e rejeita todas as atividades e grupos a que os pais pertencem, como a profissão, igreja, amigos, etc. Ela não quer pertencer a nada que tenha contato com aquele grupo que não fala com ela, que não comunica nada e que se afastou dela.

Buscar ajuda é importante. Existem pessoas que trabalham com famílias e tem experiência para auxiliá-los nessa tarefa. São psicólogos, conselheiros, pastores e até o conselho tutelar. Não lute sozinho. Não banque auto-suficiente não é demérito ou fraqueza. Pelo contrário é sinal de sabedoria.

Perguntas para reflexão:
1 - Tenho me comunicado claramente com meu(s) filho(s)/ diariamente?
2 - Tenho tentado compensar meu(s) filho(s) pelo divórcio ou pelo novo casamento?
3 - O(s) filho(s) tem sido usado(s) como instrumento para ferir?
4 - O que posso fazer para uniformizar as atividades do(s) meu(s) filho(s)?

Esta semana em casa:
a)     Observe suas ações e de seus filhos durante a semana e avalie:
1 – há ciúme entre irmãos e meio-irmãos?
2 – há episódios de violência física ou verbal entre os membros da família?
3 – há algum membro da família que se isola dos demais?
4 – há desobediência ativa ou passiva?