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sábado, 10 de fevereiro de 2024

Luto - Mãe que se foi

 Ontem, prestei homenagem à minha mãe. Não há dor maior do que essa. Subestimei o poder da ausência, da perda e da morte. Fui arrogante. Ninguém está preparado para enfrentar o caixão da própria mãe. As lágrimas fluíram incontrolavelmente. Tantas palavras não ditas, memórias compartilhadas, expressões únicas – tudo se foi com ela. Lembro-me de como ela costumava dizer “porque eu sou criança”, de como virava a cabeça de forma engraçada fingindo surpresa, me pegava no colo e desencravava minha barba e de como retirava bicho e pé e espinhos, quando eu era criança. Agora, tudo isso é parte do passado, levado com ela.

Minha mãezinha estava geladinha, serena, quieta. Do mesmo jeitinho que sempre me lembrava dela. Os olhos verdes agora adornam outra pessoa. Seus rins dão sobrevida a alguém.

A maior tolice foi presumir que ela estaria sempre disponível, ao alcance, por toda a minha vida. Eu estava longe quando tudo aconteceu, visitando meu pai. A sensação é como a de um cobertor curto: cuidamos de um lado e o outro se vai. A dificuldade para dormir é real, e o esquecimento é impossível. A dor no corpo e no peito é profunda, quase insuportável. Houve momentos em que pensei que iria enfartar. Era um dia quente de fevereiro, e a imagem do caixão entrando no crematório permanece como minha última visão dela. Doloroso demais.

Poucos amigos estavam presentes, o local era distante e a tarde de sexta-feira parecia interminável. Lidei com sentimentos contraditórios e dispersos, mergulhando em reflexões incessantes. Até mesmo ouvir seus últimos áudios é doloroso demais, uma lembrança viva da sua voz que agora se calou.

Estou confuso, perdido, mas sei que preciso compartilhar essa experiência. Vou publicar essas palavras no meu blog, na esperança de que outros possam encontrar conforto ou compreensão nas minhas palavras. Afinal, a dor da perda é universal, e cada um de nós enfrenta o luto à sua maneira. 🌹


terça-feira, 19 de agosto de 2014

Assassinando Crianças

Essa semana uma notícia que me chamou atenção. Tendo em vista o número de notícias semelhantes nesses dias creio que foi uma forma de Deus me mostrar esse assunto. Conversamos eu e Ele sobre isso.
Uma jovem senhora chegou ao hospital com sangramento resultado de nascimento. As enfermeiras perguntaram e como não foram atendidas em seus questionamentos. Chamaram a polícia.
Todos tinham pressa. A mulher confessou o nascimento e o descarte da criança.
O que horrorizou a todos foi a maneira odiosa que a mãe usou para fazer isso. A criança foi abandonada dentro de um freezer.
Em oração fui levado a um estado de empatia com a criança abandonada. Senti suas sensações, via por detrás de seus olhos.
Foi assim:
Logo após sair da placenta e ter luz a minha disposição. Chorei.
Queria um abraço. Queria ser aquecido. Queria carinho. Proteção...
Ouvia minha mãe, via muita claridade.
Chorei mais.
Não fui recebido. Fui jogado para fora do corpo de minha mãe. Estou no chão.
Agora sou pego no colo. Sinto que tem nojo de mim. Sou um estorvo.
Choro mais.
Em meu pequeno coração há um sentimento de abandono. O coração bate mais rapidamente. Sou impotente e totalmente dependente.
No instante seguinte sou colocado em um local gelado.
Não é minha caminha. Não é meu quarto. Não tem brinquedos.
Está gelado. Choro mais ainda.
Agora escureceu. Estou com frio.
Aos poucos sinto meus bracinhos gelarem e endurecerem.
Sinto a dor do abandono, a angústia da solidão e finalmente a angústia da morte que me domina vagarosamente.
Choro fraquinho agora, numa última tentativa de entender o fim que me minha mãe me reservara.
A escuridão e o frio são meus companheiros agora.
Finalmente o nada.
Assim, sai daquele torpor que Deus me colocou.
Meu coração batia tão apressadamente que pensei ter um ataque cardíaco.
As angústias da solidão e da morte ainda me acompanham e toda vez que vejo uma criança o coração bate mais forte, como se a criança que visitei em empatia ainda vivesse em mim e quisesse sair para brincar.
Ainda choro disfarçadamente em casa e no trabalho quando lembro esse episódio.
Agradeço ao meu pai celestial que me deu um pai e uma mãe que me receberam com tanto carinho e amor. Fui amado e cuidado.
A terra clama por vingança pelo sangue inocente que é derramado.
Exclamou o SENHOR: “Que fizeste? Ouve! Da terra, o sangue do teu irmão clama a mim.
Gn 4:10

quarta-feira, 8 de maio de 2013

MÃE Desnecessária...

Texto de Hilma Arrais


A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.


Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha.

Até agora. Agora, que meus filhos já começam a dar voos-solo sozinhos.

Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos.

Uma batalha hercúlea, confesso. 

Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.

Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.

Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso.

Ser 'desnecessária' é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também.

A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical.

A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.

Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.

Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo.

O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado,o conforto nas horas difíceis.

Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.

Ao aprendermos a ser 'desnecessários', nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar."

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Seja você mesmo. Agora mesmo.


A escritora Lya Luft em sua crônica na revista Veja de 30 de janeiro escreveu algo que me chamou atenção. “Querer ter 40 anos aos 70 é tão patético quanto 20 aos 40 como se nos tivessem embalsamado na idade que achamos ideal”.

Na minha jornada de vida encontrei mães que incorporaram o linguajar e as vestimentas de suas filhas. Não consigo pensar em qual intento isso foi feito, mas percebo que isso tem consequências nos relacionamentos familiares e na sociedade.

Nas três oportunidades que vi isso acontecer as consequências foram divórcio e muita confusão. Não sou fã da Sra. Lya, mas ela pergunta acertadamente: “existe uma idade melhor?”

Será que viver intensamente a fase que se está é tão difícil? Meus filhos quando tinham 15 anos queriam ter 18. Vejo pessoas com 40 querendo ter 20. O problema disso é que quando somos pais devemos assumir nossa paternidade e quando avós... assumir essa liberdade. Sou avô e minha esposa executa atividades de avó. Ela vive isso com muita tranquilidade. Fico pasmo com a naturalidade com que ela aceita e convive com isso.

Cumprir o dever de marido e esposa, pai e mãe faz parte dos tempos e idades que passamos. Assim, não pule etapas. Quando criança brinque como criança. Deixe a fase de namoro para a idade correta. Ao namorar não adote ações de casado, para que quando casar as execute na hora adequada. Ao casar assuma seu relacionamento e não descarte seu cônjuge. Quando pai pratique a paternidade.
Chega de viver a idade certa com ações erradas. Seja você mesmo. Agora mesmo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Pai Ausente



Pais ausentes dificultam o desenvolvimento normal de uma criança.

Essa afirmação é pautada em estudos freqüentes realizados em diversos centros de pesquisa e universidades, em todos os níveis sociais, econômicos e religiosos. Foram feitas pesquisas em todos os continentes e consideradas as condições culturais de cada povo.

É como se a atuação do pai fornecesse partes de um lego que monta a personalidade e o caráter de um individuo. A sua ausência seja de tempo ou de falta de relacionamento parece dificultar a montagem desse lego. As conseqüências para o novo ser são terríveis e criam barreiras intransponíveis se não houver auxilio.

Filhos de pais ausentes têm maior envolvimento com delinquência juvenil, associado a abuso de drogas, vadiagem, roubo e bebida. Esses aspectos são maximizados se o pai é ausente na vida escolar do filho, a partir da sexta e sétimas séries.

A distância do entre o pai e o filho aumenta a possibilidade de uso de maconha e a percepção do filho em ser apanhado em delitos maiores. Ou seja, ter um pai por perto que tenha influencia positiva impede o engajamento do jovem em múltiplos delitos que seriam seus primeiros problemas com a sociedade.

O pai ausente – medido pela freqüência de contato e qualidade do relacionamento – é relacionado com filhos com maior disposição a sintomas de dissimulação, comportamento anti-social, depressão, tristeza, e mentira (Flouri & Buchanan, 2002a; King & Sobolewski, 2006; Mosley & Thompson, 1995).

Pais ausentes geram mais filhos com problemas de conduta, bullying, hiperatividade, vitimização, dificuldade de se socializar na vida escolar e problemas associados a notas. Esses filhos têm 80% mais chance de ir para a prisão. Além disso, duas vezes mais chance de atividade sexual precoce e sete vezes mais chance de gravidez precoce.

A vida escolar dessas crianças é pautada por problemas de atenção, desobediência, repetência e tem menor chance de chegar a estudos superiores. Além disso, possuem mais chance de cometerem crimes na escola como possuir, usar ou distribuir drogas ou álcool, usar armas de fogo, cometer violência contra professores, administradores ou outros estudantes.

Os pais ausentes são psicologicamente imaturos, menos satisfeitos com suas próprias vidas, são psicologicamente aflitos, não se compreendem e não compreendem os outros. Além disso, não se envolvem com a comunidade ou serviços sociais. Tendem a ter menos satisfação no trabalho e relacionamentos profissionais.

Existem evidências que sugerem que pais envolvidos com os filhos tem estabilidade e satisfação marital na meia-idade. São mais felizes mesmo 20 anos depois do nascimento do primeiro filho.

Filhos que tem pais envolvidos se tornam bons maridos, trabalhadores e excelentes cidadãos na meia idade (Snarey, 1993;Townsend, 2002).

Ser um pai ausente tem conseqüências. A sua proximidade com seus filhos pode determinar destinos na prisão, nas drogas ou pessoas extremamente felizes.

Uma mulher deve consistentemente observar o pai de um pretendente, pois pode ter uma visão de como será sua possível vida de casada e de como seus filhos serão tratados.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Família Mosaico – Síndrome dos Dois Reinos


Contexto

Em visita a um casal de Foz do Iguaçu visualizamos, eu e minha esposa, um problema recorrente nas famílias mosaico, a dificuldade de se estabelecer a autoridade em relação aos enteados.

No casal em questão, a mãe determinou, logo nos primeiros dias de casamento, que o padrasto não ensinaria e nem aplicaria castigos ao filho, então com sete anos. Isso reduziu as possibilidades de se estabelecer um relacionamento e a capacidade do padrasto de influenciar positivamente a vida do enteado.

O padrasto, para evitar conflitos na família recém formada, aceitou a retirada de sua autoridade. No começo, a zona de conforto e ausência de conflitos parece dar a razão s essa decisão. Entretanto, isso não é bom.

Hoje com 20 anos, o filho apresenta dificuldades com sua sexualidade, relacionamentos familiares e sociais, bem como depressão. Está em tratamento com psiquiatras e psicólogos. Toma remédios controlados, não trabalha e não estuda. O desinteresse por trabalho e por estudo tem origem na incapacidade de relacionamento com pessoas e na dificuldade em receber ordens.

O conflito

A mãe retirou do padrasto a autoridade para com o enteado. A frase foi: “você não é o pai, a partir de agora você não tem que cuidar de nada do garoto.” Inicia-se a síndrome dos dois reinos.

Normalmente é assim, uma verdade e uma mentira. A verdade ampara a mentira. De fato, ele não é o pai. Mas é autoridade sobre tudo que é sua responsabilidade, todos os bens materiais da casa, bem como pessoas. Isso é indissociável.

Ao retirar a autoridade do padrasto, que assim consentiu e tem parte no problema, a mãe criou um novo reino em casa, alijou o filho de um relacionamento importante com autoridade masculina e deu poder de escolha a alguém sem parâmetros, personalidade formada e experiência para decidir, seu filho. Além disso, a mãe não conseguiu ensinar e estabelecer limites na educação do filho. Nas palavras de Jesus, um reino dividido não pode subsistir.

Conseqüências

Nesse cenário, o filho entende que a única autoridade que existe sobre si é a sua mãe.

Esta autoridade é manipulável e cede as suas vontades. Sendo assim, os professores, policiais e chefes não autoridades em sua vida. A transgressão e o desrespeito fazem parte de sua vida confortável. Deixá-lo a vontade é uma forma de amor dado pela mãe em uma tentativa de compensar a falta que um pai faz. Nenhuma mãe consegue isso. Bem como nenhum pai vai suprir a falta que uma mãe faz.

Além disso, há conflito constante. O filho se considera dono de si. Duas autoridades na casa. Isso cria um ambiente de desonra para o homem e sobrecarga para a mulher.

Desde que começamos a trabalhar com casais, nas suas diversas formações, ouvimos mulheres reclamando de sobrecarga. Esse é o resultado de assumir responsabilidades inerentes a todos os membros da família.

Ao executar atividades que são responsabilidades de outros, retiramos a oportunidade de crescimento e participação nas atividades da casa. É necessário criar um ambiente colaborativo, em que todos sabem que fazem parte de uma equipe. Sem isso, alguém vai ficar sobrecarregado.

Recebemos relatos de mulheres que estão com sobrecarga de atividades, visto que retiraram do homem suas responsabilidades, com vistas a proteger o filho e a si mesma. Cuida das finanças, da limpeza, educação dos filhos e da própria vida. Isso não é casamento. Algumas pessoas percebem isso e a conseqüência é novo divórcio.

O sentimento familiar de equipe, de amizade e de intimidade é de responsabilidade do homem.

Sem autoridade, o homem se sente pressionado, pois não consegue programar ações nesse sentido, muito menos tomar decisões. Para onde viajar, o que ver na TV, notas da escola, horário de dormir, o que comer, tudo passa por três instâncias de decisão: o pai, a mãe e o filho.

Continuamente desonrado, sem margem de manobra em sua própria casa, passa a maioria do tempo em locais onde se sente a vontade. Menos em sua casa. Passa a ser ausente, pois não é necessário.

O filho ao receber todo esse mimo, e ver toda confusão e conflito na casa, entende isso como fraqueza. E se afasta. Filhos gostam e se aproximam de pessoas com autoridade. Principalmente se essa autoridade for moral.

A primeira ilusão do homem que casa com mulher com filhos é que ele será um bom pai ou pelo menos fará esforço para isso. Isso é uma mentira.

Ele pode exercer autoridade com sabedoria e conseqüentemente ser um amigo. Alguns homens ficam tristes quando ouvem a expressão: “você não é meu pai!” Embora isso seja um fato, não deve ser motivo de tristeza. Devemos aceitar o título de padrasto e exercer todo o poder, amor e sabedoria que o cargo exige. Em algum momento de dificuldade com a mãe e o enteado, teremos a tentação de deixar de lado a autoridade. Isso é um erro terrível na educação de filhos. As conseqüências são inegáveis. E virão.

Solução
As regras para conduzir esse tipo de situação, resguardadas as exceções, são:

1º - você não é o pai, mas se for chamado assim, deixe;
2º - você é autoridade;
3º - exerça autoridade;
4º - não abra mão, em hipótese nenhuma, da sua autoridade;
5º - privilegie o relacionamento, a amizade é conseqüência e não o objetivo;

As regras acima citadas servem também para as madrastas.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Pais do Abandono - meu filho não quer comer


Existem inúmeras pesquisas a respeito das causas da recusa de um filho a alilmentar-se. Se não forem casos de doenças físicas, como nascimento de dentes ou feridas na boca, ou mesmo problemas no estômago, os pais devem atuar fortemente nesta área. Essa reclamação atinge a todos os níveis socioeconômicos e culturais e religiosos.

Em observação direta e leitura das pesquisas existentes percebi que a relação mãe e filho afeta fortemente o quesito alimentação.

O que contribui para problemas de alimentação em crianças:
- pais não almoçam com os filhos;
- mães que tem horário de almoço reduzido ou tem refeições rápidas com os filhos;
- quantidade de comida diferente da necessidade ou capacidade da criança;
- ausência de rotina ou padrão alimentar, a criança come o que quer, em qualquer hora;
- ambiente inadequado, ou seja, na sala em frente a televisão ou no quarto, mesmo no chão;
- tensão no ambiente familiar;
- o abandono emocional pode fazer com que a criança deixe de comer para chamar a atenção dos pais. Ou seja, ela passa a ter atenção em todas as refeições.

Pamela Druckerman, jornalista americana escreveu um livro sobre o assunto ao confrontar a educação americana que passava para os filhos com a educação francesa que vivencciou em uma viagem a França. 

Ela percebeu que, pais que tem o perfil de barganhar e ceder, ou seja, a casa, bem como as refeições, não possui regras claras influencia fortemente nos momentos de alimentação.

Além disso, observou que na França, a tolerância é baixa em ambientes públicos, com a falta de controle dos pais sobre os filhos. A brasileira Ilana Heineberg, 36, que mora na França e educa os filhos à moda francesa, relata que: “As pessoas e os garçons não estão dispostos a aturar barulho ou falta de respeito com a comida, mesmo por parte das crianças. Dificilmente os pais continuam frequentando esses locais enquanto seus filhos se comportam dessa forma. Encaram como um vexame”

No Brasil, os pais dizem: "estou pagando, ninguém tem nada com isso!"


Estudo recente sobre o aspecto psicológico da queixa materna "meu filho não come", revela que é impossível apontar por onde começam as dificuldades em termos causais: se nos sentimentos da mãe ou no comportamento da criança; visto que 40% das mães demonstraram sentimentos de rejeição, culpa e dificuldades em sintonizar-se com filho, enquanto 38% das crianças apresentaram baixa auto-estima, pouca vitalidade e fraco vínculo mãe / filho.

Este achado também é observado em uma outra investigação, referente à relação entre as características maternas e os casos de anorexia infantil, uma vez que comparando-se mães de crianças com e sem distúrbios do apetite, notou-se que as mães das crianças anoréxicas tinham mais insegurança quanto ao cuidado com seu filho. Deve-se ressaltar que, neste caso, a anorexia infantil trata-se de uma situação na qual a criança come pouco e/ou é seletiva, mas que apresenta crescimento e desenvolvimento satisfatório para idade.

A participação da mãe no processo da alimentação é de fundamental importância, as repercussões de suas atitudes podem acarretar sérias conseqüências para a criança. Mães com histórico de depressão e transtornos alimentares tendem a apresentar filhos com maior risco de padrões alimentares inadequados (seletividade) e failure to thrive (comprometimento no crescimento e desenvolvimento). Assim como pais exigentes podem favorecer o aparecimento de dificuldades no processo alimentar, por exercerem mais controle sobre o que seus filhos comem.

No site citado, existem mais informações interessantes sobre o assunto baseadas em estudos científicos, leia, comente, compartilhe.

sábado, 20 de outubro de 2012

Pais do Abandono - não quero comer


Como é o momento das refeições na nossa família. Como compartilhamos o alimento?
Tendo em vista nossa atividade com famílias, frequentemente somos convidados para participar de eventos ou mesmo pequenas comemorações.
Esses convites nos dão a rara oportunidade de ver qual é a mecânica de pessoas completamente diferente de nós, inclusive nos aspecto religioso.
Em uma das visitas observamos a pequena Helena. Dois anos, recém-completados, muito ativa e esperta. Ao primeiro anúncio da mãe a respeito do almoço ela se aproximou da sua cadeirinha, especialmente adquirida para ela, sentou-se e colocou o cinto de segurança.
A cadeira é mais alta, para permitir que a criança fique no nível de um adulto, com cinto de segurança e mesinha à frente.
O alimento foi colocado a sua frente, juntamente com a colher. Ela aguardou pacientemente pela oração que se seguiu. Elegantemente, ela movia a colher de modo a reter o suficiente para não transbordar. Levava a boca e mastigava tranquilamente. Não derrubou nada. Ao final, sem pedir, ele recebeu um pequeno copo com suco. Os adultos bebiam refrigerantes. Ela não pediu a mesma deferência.
Tomou a bebida e levantou as mãozinhas fazendo um sinal de término. Sua mãe olhou, sinalizou de volta. Ele esperou que a mãe limpasse suas mãos e desceu alegremente da sua cadeira. Foi brincar.
Como pode isso?
1 – Os pais estabeleceram momentos claros durante o dia e este era um deles. Há um ritual. Todas as outras atividades devem cessar. Ninguém está no computador ou olhando televisão. Todas as atenções se voltam para o almoço.
2 – não houve tentativa de convencer a criança de que a comida era boa;
3 – não há briga ou discussões durante o almoço. O tom de voz é baixo. Os assuntos domésticos sobre comportamento ou dinheiro estão fora da pauta. É um momento agradável.
Dois dias atrás tive a oportunidade de ler um relato que me impressionou. Tanto que programei o que aprendi em minha própria vida.
Segue o relato em tradução minha, tendo em vista que pertence a um site em inglês. http://www.mandiejoy.com
“Quando eu era pequena, meu pai instituiu "A Regra da primeira mordida". Parecia bastante simples: ninguém poderia provar o alimento até que o cozinheiro (geralmente mãe) tivesse provado e apreciado. Afinal, ela havia criado a refeição. Ela pôs o pensamento e esforço para a nossa nutrição, bem como, cores e temperatura dos alimentos em nossos pratos... E nós só aparecemos para a festa no último minuto. Deixá-la provar primeiro foi uma maneira de homenagear seu esforço. Além disso, perguntamos. "Mamãe, é bom?".”
“Parece uma oferta pequena, mas para pequenos ratos rosnando com fome, esperando por uma oração e uma primeira mordida da mamãe parecia uma eternidade. A nossa fome desejava a comida, mas era suprimida pela paciência. Nossos pais queriam que um tipo diferente de fome crescesse em nossos espíritos - uma fome para honrar, respeitar, para colocar os outros (e, em última análise Deus) acima de nós mesmos.”
Todos esses elementos facilitam a convivência e o ensino de boas maneiras as crianças.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Família Mosaico - Cadê meu Pai? – Síndrome dos dois reinos - parte II


Contexto

Fomos chamados para auxiliar um casal que passava por uma crise conjugal. O casal, de São José dos Pinhais, brigava incessantemente e apresentava como causa o comportamento do filho adolescente. O filho insistentemente desobedecia ao padrasto e a mãe. A cada visita a casa de seu pai biológico voltava pior.

Na casa do pai o filho era doutrinado a não receber ordens ou ensinamentos do padrasto. O pai não acompanha as atividades escolares ou pessoais do filho. Resultado: bebidas, cigarro, internet até altas horas, quarto bagunçado.

A mãe por outro lado, desonrava o pai do menino em cada oportunidade que tinha. As brigas por telefone ou pessoalmente eram seguidas por acusações a respeito do comportamento do adolescente.

No dia das mães, embora a mãe estivesse presente na cerimônia do colégio, foi a madrasta que recebeu as homenagens do enteado. Resultado: um princípio de confusão entre os dois casais. O relacionamento entre mãe e filho nunca mais foi o mesmo.

O colégio não realiza mais dia das mães ou dos pais, pois outros fatos da mesma espécie já haviam ocorrido. O nome do evento passou a ser “Dia da Família”, o que em minha opinião, vilipendia os relacionamentos familiares e evita o conflito e o tratamento das famílias. Em Brasília, a mesma medida é tomada por outros colégios.

Situação

Os pais não agem como uma autoridade. O ensino de boas maneiras, moral e ética nunca existiu. O filho é usado como instrumento para se ferirem mutuamente.

Emocionalmente abandonado, se sente usado e não possui instrumentos morais e emocionais para sair dessa situação.

Ele precisa de um pai. Fica uma pergunta que o jovem nem mesmo sabe formular. Cadê meu pai? Cadê o meu ponto de apoio emocional? Onde está o meu confidente? O meu professor, abençoador, amigo, provedor. Quem vai me punir, me proteger? Quem vai me abraçar e orar comigo?

O sofrimento do filho é ignorado. Os pais vivem suas vidas, namoram, casam, viajam, mudam de casa e o filho tem que se virar com seus sentimentos e frustrações decorrentes das decisões dos pais.

Conseqüências

Grupos sociais formados por jovens, darks, punks, emos, entre outros, tem em sua estrutura o que falta para o adolescente ou jovem dentro da família. Regras, padrões, liderança e a aceitação. Ali ele se encaixa. Ele vai fazer tudo para ficar com esse grupo. Se encaixar. Mesmo que para isso precise fazer tatuagens, fumar, beber, se vestir de preto, rosa, o que for. Mas o que vai trazer mais frustração para os pais é que vai recusar fortemente os grupos sociais aos quais os pais pertencem.

Tivemos relatos de jovens que fizeram tentativas de suicídio que os pais nem souberam. Estudos mostram que a cada tentativa de suicídio, fica mais próxima morte do suicida. É um sofrimento silencioso, doloroso. Os pais pensam apenas em si mesmos. Os filhos sofrem.

Solução

Ademar e Lúcia tiveram uma separação litigiosa e cercada de acusações e brigas. Os filhos pequenos passaram a apresentar quadros de obesidade e hiperatividade. Entre o período de diagnóstico e os novos casamentos fizeram um acordo de manter as mesmas rotinas nas duas casas, entre outros itens que vou elencar abaixo:

1 – rotinas e regras iguais nas duas casas;
2 – tempo de qualidade com os filhos;
3 – os pais quando se encontrarem devem ser cordatos;
4 – os assuntos polêmicos devem ser discutidos em locais diversos dos lares;
5 – os pais devem se preparar, com cursos e livros a respeito de educação de filhos;
6 – em caso de novos casamentos, a comunicação deve ser feita entre os homens e ser periódica;
7 – a punição é aplicada pela autoridade presente;
8 – tempo de ensino, leitura, abraço, apoio, oração, entre outros deve existir nas duas casas.

A situação é delicada. Apesar de existirem dois reinos, os pais precisam proteger os filhos para minimizar os danos gerados pelo divórcio.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Pais Preparados, Filhos Educados


Claudia e Julio planejaram e nasceu Luiza, uma linda menina.

Claudia fazia faculdade e trabalhava, e tendo em vista o novo membro da família resolveu dedicar-se em tempo integral ao seu cuidado e educação.

Este casal percebendo os desafios que surgiriam com a bem-vinda chegada de Luiza investiram tempo e dinheiro em um curso chamado “Como criar seus filhos”, pertencente à Universidade da Família (UDF).
Luiza, finalmente nasceu e eles aplicaram os ensinamentos apreendidos durante o curso. Fui visitá-los uns anos atrás e tive gratas surpresas quanto ao relacionamento dos três.

Quando é chamada para almoçar, Luiza, junta rapidamente seus brinquedos e se dirige a uma cadeirinha que possui cinto de segurança e mesinha. Ela sobe, põe o cinto e coloca as mãos sobe a mesa indicando que está pronta para comer.

Durante a refeição ela come sozinha, põe na colher apenas o que cabe na boca e mastiga tudo sem derrubar comida no chão e sem sujar o rosto. Ao término, balbucia algumas palavras que indicam que terminou. Se sujar as mãos ela as levanta e aguarda sua mãe vir limpá-las.

A mãe por sua vez a elogia, a abraça e retira o cinto. Ato contínuo ela vai em direção ao banheiro para escovar os dentes. Uma curiosidade. Ela lava duas vezes. Não entendi porque, os pais também não sabem.

Como eles conseguiram?

O primeiro item foi a dedicação da mãe. A criança não está na creche em que uma pessoa tem que ensinar a dezenas de crianças com dêem se comportar e que uma delas ensina a todas as outras a chorar e a derrubar a comida no chão.

Alem disso, os pais tem uma atitude saudável em relação aos alimentos e bebidas. Como a comida devagar, juntos, não bebem durante o almoço. Não existem conversas estressantes durante esse tempo em comum. Não existem doces e balas entre as refeições e os horários são mantidos, assim todos sabem que quando devem estar prontos para comer .

Adicionalmente, os alimentos colocados a mesas não são opcionais, todos devem comer o que está servido, nada a mais nada a menos. A alimentação não serve para estancar a ansiedade. A mãe não suplica que a criança coma, simplesmente não há opção.

A criança possui horário específico para olhar televisão. A televisão não é usada para manter a criança quieta enquanto a mãe desenvolve suas atividades, mas sim como uma ferramenta auxiliar. São usados pequenos filmes educacionais de forma moderada. A mãe complementa os ensinos dados e reitera e assume sua autoridade e responsabilidade sobre a educação da criança.

Tudo foi simples? Não.

Como os dois trabalhavam o orçamento diminuiu.
Então de comum acordo cortaram despesas que representavam pequenos confortos e se adequaram ao novo estilo de vida.

Ela deixou a faculdade.

Ela percebeu que poderia retomar se quisesse assim que a filha crescesse. Assim fizeram uma poupança para bancar a faculdade no futuro, em caso de necessidade.

Ela planeja seu tempo na casa.

Duas vezes por semana eles saem para uma aula de dança e duas vezes por semana ela faz pilates.

Os fatores de sucesso dessa relação casal x filha são:

- foram feitos acordos entre os adultos, aceitos e executados a contento;
- avaliação do que é urgente x necessário;
- papéis e responsabilidades dentro da família não estão invertidos;
- filho planejado e dentro da cerca protetora do casamento;
- Pais se prepararam com cursos para receber a filha.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Mamãe Coruja


Juliana, 40 anos, mãe de dois filhos, resolveu inscrever o filho de 4 anos, Tiago, em uma aula de natação.
As primeiras aulas os pais podem participar em caso de dificuldade da criança em entrar na água ou problemas de adaptação.
Juliana preparou todo seu kit com maiô e óculos, mas o Tiaguinho ela já levou vestido com a sunga.
Ao chegar ao local da aula conversou com Tiago e avisou que mudaria de roupa e que logo viria para entrarem juntos na piscina. Avisou ao professor sua ausência e foi trocar de roupa.
Quando voltou seu filho já estava na aula e nadava alegremente com os recém elevados a categoria de amiguinhos.
Ficou decepcionadíssima, pois o menino não chorou, reclamou ou mesmo lembrou que ela existia.
Em alguns casos em que os filhos choram ou se recusam a ficar no ambiente escolar ou semelhante, a causa é a própria percepção dos pais de dependência ou insegurança dos filhos influenciando-os negativamente.
Os pais precisam avaliar em que ponto os filhos estão no quesito maturidade e até onde estão preparados para ficarem sozinhos em situações de afastamento. Os primeiros momentos são cruciais para a aceitação da criança ao novo ambiente.
Se os pais passam insegurança isso não é o único ponto a ser observado, mas é crucial quando os pais não estão certos de que a criança deve estar naquele lugar, naquele momento.
A mesma questão é observada no momento dos filhos deixarem o ambiente familiar para formar novo núcleo familiar, mas isso é outra história.

Elogio


Marta, mãe de Claudio, tinha habilidades musicais herdadas de seu pai. Alias, a família toda tocava em algum nível, um instrumento musical.
Claudio, entretanto apresenta uma facilidade em aprender e ter habilidade em mais de um instrumento com alta qualidade.
Assim, a mãe pedia ao filho em determinadas ocasiões que tocasse para ela músicas que a acalmavam e outras alegres conforme o seu estado de espírito solicitava.
Certa feita após muito treino, Claudio resolveu apresentar para a mãe a conquista de um novo instrumento: a flauta doce.
A mãe teve uma reação raivosa ao exposto pelo filho e vaticinou:
- Ninguém ganha dinheiro com esse instrumento pode parar de aprender essa coisa horrível.
Com 15 anos Claudio teve a sua primeira critica negativa. Vinda logo da pessoa que mais admirava.
A partir daí passou evitar sua mãe e os pedidos que ela fazia para tocar. Isolou-se, ganhou uma depressão e vivia muito triste.
A família logo associou o afastamento do garoto a fase da “aborrescência” e o deixaram de lado.
Já casado, fez conosco um curso de Como Criar seus filhos, percebeu algumas das suas limitações e questionamentos tinham origem neste fato.
Conversamos, oramos e resolvemos a questão.
Claudio encontrou sua mãe e trataram do assunto. Houve pedidos de perdão de parte a parte.
Encontrei Claudio outro dia e perguntei sobre sua vida e seus relacionamentos como andavam.
Ele me relatou que não havia mais barreiras entre ele e seus pais, irmãos e esposa. A tristeza e sentimentos de isolamento desapareceram. Passou a tocar com entusiasmo na igreja e inclusive para sua mãe.
Os pais precisam observar as emoções dos filhos quando estes trazem notícias a respeito de suas atividades. Uma nota na escola, um instrumento dominado, um gol feito são sempre dignos de elogio. Mesmo nas horas em que são repreensíveis devemos tomar cuidado com nossas expressões sejam elas orais ou físicas, no intuito de preservar as emoções de nossos filhos ou mesmo esposa.
Tivemos a oportunidade de tratar com muitos casais que tinham problemas em seus casamentos no que diz respeito a confiança, depressão e tristeza em que a origem era o modo que os pais lidavam com as conquistas e erros dos filhos.