quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Pagamento de Lubrificação


O pagamento de lubrificação é uma prática prevista na lei americana que permite o pagamento de valores para que, segunda a Wikipedia, “funcionários públicos de outros países realizem os atos governamentais que eles legalmente necessitam realizar”.
Os pais que desconhecem o uso correto da autoridade apresentam um comportamento que os leva à agir com suborno em relação a seus filhos. Essa prática alimenta uma cultura de corrupção que todos detestamos em agentes públicos, como por exemplo, os políticos.
Quando os pais usam com freqüência a expressão “se você fizer tal coisa, ganha tal coisa” é uma forma de suborno. Fica implícito para o novo ser que se forma que todas as suas ações devem ser regiamente pagas. Criamos uma legião de jovens e adolescentes que não se mexem de seus quartos se não há ganho ou ressarcimento pelo “trabalho” de estudar, arrumar seu quarto ou mesmo ajudar os pais nas tarefas da casa.
O supermercado é um bom exemplo disso. As crianças já sabem que ao se comportarem bem vão ganhar um doce, bala ou salgadinho. O suborno já é esperado. O bom comportamento não dirigido pelo coração, rejeitando o mal e orientando-se pela prática do bem. Sendo assim, torna-se plausível que como futuro agente público mereça ganhar por fora para cometer atos lícitos ou ilícitos.
Não podemos confundir o suborno com recompensa. A recompensa é um prêmio pela atuação. Não é uma promessa, não acontece sempre e se refere à performance e não a comportamento.
O exemplo é do filho que alcança notas acima da sua própria média ou que supera um percentual previamente acordado com os pais, embora eu prefira que seja na forma de uma surpresa. A surpresa comunica para o filho que o pai está observando o seu esforço e está feliz por isso. Respeitar os mais velhos, ceder o lugar ou mesmo arrumar o quarto são ações de comportamento que devem fazer parte da vida cotidiana das pessoas.
A superação de expectativas em relação a atividades físicas ou habilidades ligadas a arte podem ser regiamente recompensadas.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Família Mosaico – Síndrome da Compensação


Conceito

Família mosaica compreende a fusão de duas ou mais famílias oriundas de divórcio ou viuvez. Podem ou não existirem filhos de casamentos anteriores.

Nessa nova formação social podem coexistir irmãos, meio-irmãos e não-irmãos. Além disso, independente da convivência, a lei considera os enteados, parentes, em linha reta, descendente de primeiro grau, o filho cônjuge de outras uniões (CC, art. 1.595, § 1.º).

Na família tradicional a formação é definida e as autoridades são plenas de reconhecimento, ou seja, o pai e a mãe são indiscutivelmente as autoridades da casa, ensinam e aplicam punição na periodicidade necessária.

Na nova formação são necessários ajustes e uma comunicação entre os novos e antigos cônjuges afinada. A possibilidade da existência de pai e mãe, padrasto e madrasta abre a necessidade definição de alçadas e responsabilidades. Ou seja, quem faz o quê.

A clareza nas atribuições vai facilitar a resolução de conflitos e incidentes que podem ocorrer nos primeiros anos de coexistência.

Contexto

Com a ascensão do número de famílias mosaico ficou mais fácil de observar um evento que é muito mais comum que se imagina. No último censo realizado pelo IBGE, em 2010, foi levantado que a família mosaica ou família reconstituída como instituto preferiu chamar, existe em 16,3% dos lares de casais com filhos, ou seja, 4,446 milhões de lares nessa situação. Em 1,9 milhões de lares, existem filhos de outras uniões.

Com a popularização do divórcio e a facilidade que foi instituída pela união estável, vemos multiplicar o conjunto de possibilidades de formação familiar. Relacionamentos começam e terminam com ou sem filhos, em poucos meses. Isso proporciona um sem fim de pessoas que trazem consigo uma bagagem de outros relacionamentos, bem como seus filhos, o que nem sempre é positivo. É um aprendizado baseado em tentativa e erro.

A nova formação carece de cuidados.

O primeiro conflito

O primeiro conflito antecede a formação da nova família. Os pais, bem como os filhos, se sentem culpados. Os pais desenvolvem um desvio comportamental, a síndrome da compensação. Ou seja, a necessidade de pais e mães, muito mais observados em mães, de compensar o filho, pelo do divórcio. De alguma forma os pais creem que precisam compensar o filho pela ruptura da família.

O filho por outro lado, necessita de segurança. Todos os alicerces que ele considerava eternos e infalíveis caíram. Mamãe não ama o papai e papai não ama mamãe. E tudo isso parece ser culpa dele.

Não é possível compensar o filho, com presentes, dispensa de suas responsabilidades, exclusão dos limites e ausência de punição. Ele precisa de amor e que sua rotina volte ao normal o mais rápido possível. Ele não se sente compensando, na maioria das vezes o sentimento presente é de traição.

Isso é o que tem sido a temática nas discussões sobre ensino e disciplina dos filhos, tanto nos casais separados quanto nos novos casais que formam da união de duas ou mais famílias.

Normalmente um dos pais ou os dois passam a se comportar como se o filho fosse um reizinho na casa. O que afeta a todos. Inclusive avós.

A criança fica confusa porque tem que dormir cedo em uma casa e amanhece navegando na internet na outra. Tem alimentação vegetariana em uma casa e lanche rápido em outra. A criança requer padrões bem definidos. E se rebela quando eles não estão bem desenhados.

Alguns filhos se adaptam e se tornam hipócritas apresentando comportamentos adequados para cada situação que se apresenta. Falam palavrão em uma casa, mas, na outra não.

Outros ficam confusos e apresentam sintomas de rebeldia ativa negando-se a seguir qualquer ordem.

Observamos nas duas situações que os filhos tendem a se envolver com drogas e bebidas alcoólicas, bem como apresentar sexualidade exacerbada.

Além disso, alguns pais usam os filhos como instrumento para se ferir mutuamente. A criança em formação adquire feridas emocionais profundas com esse comportamento.

Comportamentos indesejáveis dos pais em relação aos filhos:

- Mandar recados cheios de ódio e ressentimento para o ex-cônjuge;
- expor informações jocosas que eram intimas durante o casamento;
- desonrar, ironizar ou manifestar-se contra todas as ações do ex-cônjuge;
- desfazer a imagem de pai/mãe ou mesmo de autoridade do ex-cônjuge;

Os ressentimentos e conflitos entre os pais durante a separação são infecciosos. Devem ser mantidos distantes dos filhos. Isso não quer dizer que os filhos sejam alijados de informação.

Toda informação sobre o assunto deve ser transmitida com clareza e sem o viés do julgamento. Toda a força em culpar um ao outro se volta para a criança, que recebe como um fardo. Fica obrigada a se posicionar, tomar partido. Ninguém deveria ter que passar por isso. É muita pressão.

O Ambiente familiar desconfigurado

A situação piora quando entra em cena outra autoridade. O padrasto ou a madrasta. Além deles, outros atores entram em cena. Irmãos! No começo são chamados: “filhos do padrasto”.

Para a criança em crescimento a única autoridade conhecida é papai e mamãe. Agora uma figura diferente, que se apresenta como autoridade para lhe ensinar, dar ordens e punir.

Quanto aos novos irmãos, tem que dividir a casa, a mãe e as atenções com alguém que mal conhece. Enquanto o pai ou a mãe namorou, conheceu e estabeleceu um relacionamento de confiança que resultou em novo casamento, os “irmãos” simplesmente aparecem.

Se não há uma uniformidade de crenças e ensinamentos entre todos, a criança fica a mercê de um sistema de confuso de ordens e conceitos desencontrados. A criança passou por momentos de incerteza e insegurança na ocasião da separação dos pais. Agora mais confusão! Podemos encontrar aqui alguns sentimentos de raiva e ciúme.

As conseqüências

Essa criança se sente sempre imperfeita, não consegue se encaixar em todos os padrões exigidos, não alcança as exigências. Ela se sente só, abandonada. Vai abraçar o primeiro que a adotar. O primeiro que entender o que ela está passando.  Pode ser um melhor amigo ou um traficante. Melhor que seja você, papai ou mamãe.
Alguns se isolam, passando longos períodos trancados no quarto. Outros, evitando as atividades familiares com almoço, festas, igreja, etc...

O resultado pode ser visto com problemas de bulimia, anorexia, tristeza, depressão e suicídio. Alguns têm tentativas de suicídio que os pais desconhecem.

A solução

A integração entre os familiares na formação da nova família nem sempre é rápida como os pais desejam. O pesquisador James Bray descobriu que famílias mosaico levam de três a quatro anos para pensar e agir como família. As pesquisas apontam esse tempo para famílias com filhos em pouca idade e com pais que investem fortemente em relacionamento.

Famílias mais lentas, com filhos mais velhos e pais não tão comprometidos levam mais de sete anos para se integrar e manter intimidade e autenticidade nas relações dos enteados com os padrastos e madrastas.

Em várias situações encontramos homens e mulheres que gostariam de ter sido avisados da complexidade de um segundo casamento. Os casais relatam que o novo casamento não parece em nada com o primeiro, no que diz respeito a relacionamentos, dinheiro e espiritualidade.

O início é lento e as relações vão crescendo à medida que os anos passam. No caso da família mosaico, existem fundamentos que precisam ser destruídos e reconstruídos no intuito de estabelecer um novo padrão familiar. A vida de todos está em pleno andamento. O número de parentes multiplica. Aniversários em família são ricos em avós, tios e primos. Existem conflitos em andamento e novos vão surgindo.

Os pais separados com novas famílias ou não precisam uniformizar suas condutas e procedimentos. Planejar mutuamente o ensino e a condução de seus filhos. Isso vai minimizar o desconforto e confusão que a criança ou jovem está passando. Vai amenizar os conflitos.

Deixar de lado as diferenças e questões pessoais em prol dos filhos pode ser uma pontinha de compensação que você tem pensado em dar ao seu herdeiro.

Nesse ponto a comunicação entre todos os intervenientes da vida da criança tem que ser efetiva. Nada pode ficar no ar. As informações incompletas, desencontradas ou omitidas viram fantasia na vida da criança ou jovem. Ela começa a imaginar que não é amada, querida e que está fora do contexto familiar. Ela tem necessidade de pertencer a um grupo uniforme, perene em que seja aceita como é.

Nesse ponto começa imaginar que não é.

Passa a buscar outros grupos fora de casa e rejeita todas as atividades e grupos a que os pais pertencem, como a profissão, igreja, amigos, etc. Ela não quer pertencer a nada que tenha contato com aquele grupo que não fala com ela, que não comunica nada e que se afastou dela.

Buscar ajuda é importante. Existem pessoas que trabalham com famílias e tem experiência para auxiliá-los nessa tarefa. São psicólogos, conselheiros, pastores e até o conselho tutelar. Não lute sozinho. Não banque auto-suficiente não é demérito ou fraqueza. Pelo contrário é sinal de sabedoria.

Perguntas para reflexão:
1 - Tenho me comunicado claramente com meu(s) filho(s)/ diariamente?
2 - Tenho tentado compensar meu(s) filho(s) pelo divórcio ou pelo novo casamento?
3 - O(s) filho(s) tem sido usado(s) como instrumento para ferir?
4 - O que posso fazer para uniformizar as atividades do(s) meu(s) filho(s)?

Esta semana em casa:
a)     Observe suas ações e de seus filhos durante a semana e avalie:
1 – há ciúme entre irmãos e meio-irmãos?
2 – há episódios de violência física ou verbal entre os membros da família?
3 – há algum membro da família que se isola dos demais?
4 – há desobediência ativa ou passiva?

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Choro em público



Tenho recebido questionamentos dos pais a respeito de uma situação muito comum entre pais e filhos. O filho que faz escândalo em público, seja no supermercado, festas, rua ou banco.

O supermercado é o meu playground. Lá os pais mostram o seu pior no que diz respeito a educação de filhos. Ocorrem esses eventos, procuro me aproximar para observar as reações dos pais e dos filhos. Com essas observações e algum estudo é possível formular algumas conclusões.

Ir ao mercado e observar os pais é ver gritaria de parte a parte, ameaças e agressão, físicas e verbais, suborno e até pais que ignoram o choro do filho.

Estudos realizados nos Estados Unidos apontaram que os filhos avaliam as reações dos pais por meio das feições. Cada ação é acompanhada por uma reavaliação de como aquilo atingiu os pais.

O escândalo do filho em público é uma forma de suborno. O filho observa a reação do pai ou da mãe e avalia o quanto vale a pena continuar a gritaria. O pai está envergonhado? Está assustado? Não sabe o que fazer?

O resultado dessa avaliação determina os próximos passos do infante.

Aqui vão as sugestões para os pais:

1 - faça cara de paisagem, tanto para o filho como para as pessoas a sua volta. Demonstre total confiança. Para todos os efeitos está no controle da situação, um homem de gelo;

2 - retire a criança da presença do público. É um teatro. As pessoas as sua volta são uma das moedas de troca. A criança se sente confortável em chorar e gritar naquele ambiente. Não ficará tão confortável quando estiver cara a cara só com você;

3 - não ameace, suborne, ou mesmo aja com violência, se não faz isso com outras pessoas, não faça isso com seu filho. Não exponha a você ou a seu filho ao ridículo;

4 - quando estiver a sós com ele, espere que se acalme e explique com tranqüilidade qual é o comportamento desejado, não suborne ou ameace;

A verdade é que devemos preparar nossos filhos para os eventos externos antes de sair. Devemos sentar e com serenidade ensinar qual o comportamento é esperado. Assim, tudo que acontecer, não será surpresa para a criança e saberá que os pais são coerentes e sábios.

Mesmo assim, algumas crianças testam a paciência e o autocontrole dos pais.

Ao ser testado como pai nessa situação siga o script acima listado. Vai dar certo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Família Mosaico - Cadê meu Pai? – Síndrome dos dois reinos - parte II


Contexto

Fomos chamados para auxiliar um casal que passava por uma crise conjugal. O casal, de São José dos Pinhais, brigava incessantemente e apresentava como causa o comportamento do filho adolescente. O filho insistentemente desobedecia ao padrasto e a mãe. A cada visita a casa de seu pai biológico voltava pior.

Na casa do pai o filho era doutrinado a não receber ordens ou ensinamentos do padrasto. O pai não acompanha as atividades escolares ou pessoais do filho. Resultado: bebidas, cigarro, internet até altas horas, quarto bagunçado.

A mãe por outro lado, desonrava o pai do menino em cada oportunidade que tinha. As brigas por telefone ou pessoalmente eram seguidas por acusações a respeito do comportamento do adolescente.

No dia das mães, embora a mãe estivesse presente na cerimônia do colégio, foi a madrasta que recebeu as homenagens do enteado. Resultado: um princípio de confusão entre os dois casais. O relacionamento entre mãe e filho nunca mais foi o mesmo.

O colégio não realiza mais dia das mães ou dos pais, pois outros fatos da mesma espécie já haviam ocorrido. O nome do evento passou a ser “Dia da Família”, o que em minha opinião, vilipendia os relacionamentos familiares e evita o conflito e o tratamento das famílias. Em Brasília, a mesma medida é tomada por outros colégios.

Situação

Os pais não agem como uma autoridade. O ensino de boas maneiras, moral e ética nunca existiu. O filho é usado como instrumento para se ferirem mutuamente.

Emocionalmente abandonado, se sente usado e não possui instrumentos morais e emocionais para sair dessa situação.

Ele precisa de um pai. Fica uma pergunta que o jovem nem mesmo sabe formular. Cadê meu pai? Cadê o meu ponto de apoio emocional? Onde está o meu confidente? O meu professor, abençoador, amigo, provedor. Quem vai me punir, me proteger? Quem vai me abraçar e orar comigo?

O sofrimento do filho é ignorado. Os pais vivem suas vidas, namoram, casam, viajam, mudam de casa e o filho tem que se virar com seus sentimentos e frustrações decorrentes das decisões dos pais.

Conseqüências

Grupos sociais formados por jovens, darks, punks, emos, entre outros, tem em sua estrutura o que falta para o adolescente ou jovem dentro da família. Regras, padrões, liderança e a aceitação. Ali ele se encaixa. Ele vai fazer tudo para ficar com esse grupo. Se encaixar. Mesmo que para isso precise fazer tatuagens, fumar, beber, se vestir de preto, rosa, o que for. Mas o que vai trazer mais frustração para os pais é que vai recusar fortemente os grupos sociais aos quais os pais pertencem.

Tivemos relatos de jovens que fizeram tentativas de suicídio que os pais nem souberam. Estudos mostram que a cada tentativa de suicídio, fica mais próxima morte do suicida. É um sofrimento silencioso, doloroso. Os pais pensam apenas em si mesmos. Os filhos sofrem.

Solução

Ademar e Lúcia tiveram uma separação litigiosa e cercada de acusações e brigas. Os filhos pequenos passaram a apresentar quadros de obesidade e hiperatividade. Entre o período de diagnóstico e os novos casamentos fizeram um acordo de manter as mesmas rotinas nas duas casas, entre outros itens que vou elencar abaixo:

1 – rotinas e regras iguais nas duas casas;
2 – tempo de qualidade com os filhos;
3 – os pais quando se encontrarem devem ser cordatos;
4 – os assuntos polêmicos devem ser discutidos em locais diversos dos lares;
5 – os pais devem se preparar, com cursos e livros a respeito de educação de filhos;
6 – em caso de novos casamentos, a comunicação deve ser feita entre os homens e ser periódica;
7 – a punição é aplicada pela autoridade presente;
8 – tempo de ensino, leitura, abraço, apoio, oração, entre outros deve existir nas duas casas.

A situação é delicada. Apesar de existirem dois reinos, os pais precisam proteger os filhos para minimizar os danos gerados pelo divórcio.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Síndrome da Fantasia – Pais do Abandono



A síndrome da fantasia tem diversos aspectos a serem considerados. Vou explorar apenas o que se refere às conseqüências da aceitação da mentira na educação de filhos.

A síndrome da fantasia se caracteriza pela aceitação de que algo imaginário, irreal e mentiroso é verdadeiro. O ser veste aquela roupagem mentirosa, altera sua imagem e identidade, passando a agir conforme a fantasia que assumiu.

Assim, mesmo que o novo ser que surgiu seja nocivo, todas as ações são voltadas para perseguir a completa transformação.

Jéssica, com 7 anos, recebeu com alegria notícia de que seu pai iria lhe ensinar matemática. Infelizmente, nos primeiros momentos, a impaciência do pai, a induziu a cometer erros. Nervosa, nunca em sua vida tinha sido pressionada.

Assim, os primeiros erros ocorreram e nada que o pai falava fazia sentido. O pai, aquele que deveria abençoar amar, ensinar, cuidar, fazer carinho, agora profere palavras amargas, duras. Essas palavras vão ressoar por muito tempo na vida desse novo ser, vão entrar no coração.

Agora, com 19 anos, oito em tratamento com psicólogo, vários remédios, 4 tentativas de suicídio, três delas sem o conhecimento dos pais, Jéssica, não consegue fazer amigos. As notas na faculdade são ruins. Isola-se e tem sintomas de depressão. Os sentimentos de incapacidade, ausência de inteligência, de não ser aceita e de que nunca teria um amigo homem a atormentavam e alimentavam a solidão que sentia.

Toda tentativa, de aconselhamento, motivação, técnicas de autoajuda, grupos de apoio, tem efeito temporário, pois a fantasia é retirada e recolocada em seguida.

Após processo de cura e libertação, Jéssica, e avaliação de psicólogo, não precisou mais de acompanhamento especializado, nem de remédios. Nova roupa, nova vida.

Os pais precisam ter cuidado com a forma de ensinar, expressões utilizadas e condução da criança no dia-a-dia. A posição de autoridade e o amor que o filho tem pelo pai, dão um peso maior ao comportamento e atitudes que os pais fazem quando se relacionam com a criança. Esse relacionamento vai definir o novo ser. 

Não é acaso, podemos auxiliar na construção de uma nova vida. Essa construção pode ser com bom material. Ou pode ser um castelo de areia.

sexta-feira, 6 de julho de 2012


A cura é para quem quer


Em recente visita a nossa casa, uma jovem senhora pediu orações e dividiu conosco seus problemas conjugais e de relacionamento com os filhos. Em um momento de desabafo perguntou o que poderíamos fazer pelo marido que tinha diversos problemas com dinheiro, relacionamento com os pais e sexo.

O que podemos fazer por quem não veio ou por quem não está presente... Podemos orar. Nada mais.

Mas para aqueles que buscam e estão quebrantados estes dtem toa chance de serem curados e libertados de diversos problemas. Só podemos tratar e ajudar quem veio.

Mas este não é o problema maior. As pessoas que nos procuram sempre acusam o outro de ser o principal elemento de sofrimento em sua vida, ou seja, o outro é que precisa de ajuda. Esse é um pensamento comum “o mal são os outros” ou “o inferno são os outros” como concluiu Sartre, mas a cura é para quem veio.

A jovem senhora saiu com muitas benções de nossa casa, curada, liberta e aliviada. Seus relacionamentos em casa melhoraram, inclusive com o marido que continua sofrendo. Mas ela é muito feliz.

Outra visão disso e que nossas feridas criam barreiras intransponíveis pelos nossos entes queridos. Certa vez recebemos em nossa casa um casal cuja esposa tinha dificuldade em dar e receber carinho. Eles tinham três filhas de 15, 13 e 10 anos que nunca recebiam abraços da mãe. Ela relatou aos prantos que não conseguia se aproximar das filhas para abraçá-las. Ao passar pelo processo de cura, derrubou as barreiras que impediam seus próprios filhos de se aproximarem dela. Naquele mesmo dia ao chegar em casa foi recebida com abraços das três filhas ao mesmo tempo, algo que nunca havia ocorrido. Foi um marco em sua vida. Mudou a vida dela, das filhas e do marido.

Precisamos nos apresentar. Fazer a nossa parte. Cada um faça a sua.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Bom começo, bom negócio


Bom começo, bom negócio

Vendo um bom número de casais bem-sucedidos no que diz respeito a profissão, dinheiro, filhos dentre outros, brigando e ou se separando, me preocupei em analisar as situações para tentar encontrar uma explicação.
Não é raro alguns casais nos procuraram durante a madrugada para auxílio em situações de crise conjugal. As crises são diversas, como dinheiro, sexo, profissão, filhos, parentes apenas para citar os mais comuns. Mas observando em uma situação especial que é a minha, como conselheiro, ficaram claras algumas características comuns destes eventos.

Fatos ocorridos nos primórdios do relacionamento são relembrados imediatamente. São ações e omissões que outras situações são contadas como piada pelos próprios casais, mas, que em crise se tornam argumentos contundentes contra o companheiro. Esses fatos se transformaram em mágoas, alimentadas diariamente pela pessoa, engatilhada, pronta para ser despejada no outro quando necessário.

Um bom exemplo disso é o casal que celebrou a cerimônia de casamento sem flores na igreja. Aparentemente era um detalhe que não fazia diferença para os dois, mas se transformou em motivo para a separação de um casal em Recife. O marido sequer lembrava-se de ter economizado neste item, mas a esposa tinha na sua mente detalhes da "maldade" perpetrada contra ela.

A discussão havia começado por conta da profissão que ela deixara para casar e as viagens e sonhos que ele abandonou para mantê-la e terminou por conta da ausência de rosas na cerimônia. As histórias são sempre discutidas com grau de perversidade no máximo, expondo todas as fraquezas e podres do agora oponente. É muito interessante observar toda energia gasta em brigar e se manter com razão. Fico imaginando se torna essa força que foi usada lutando contra o outro fosse utilizada para salvar o casamento teríamos poucos divórcios.
Vou resumir este item. Fatos do tipo "deixa para lá", depois isso muda, ou mesmo, depois vamos rir disso, ficam marcados para serem usados como armas de morte para o casamento. São absolutamente fatais. Felizes os casais que terminam ou resolvem os seus problemas e celeumas antes de casar, ou imediatamente quando ocorrem.

Não deixe para depois, resolva agora, tudo tem que ficar claro. Os itens que causam mais problemas depois são:
- sexo: um quer todo dia ou nunca. Difícil achar alguém realmente sensível e que construa situações para sexo em quantidade e qualidade saudável; Um diz que tudo pode e a outra nada quer;
- dinheiro: conta única ou separada, dividir despesas e bens ou tudo separada, afinal podemos nos separar um dia né? Com orçamento ou sem, viagem ou não, posso trabalhar ou não;
- filhos: bater ou não bater, castigar ou não, levar para igreja ou não, obriga a comer ou deixa a vontade;
- parentes: se metem em tudo, pedem empréstimo, vão morar junto;
- relacionamento: quem manda? Quem toma a decisão?
Apesar de tudo isso, o que mais coopera para as separações são as premissas mentirosas da vida. Mas o que é isso?

Para exemplificar: Homens que casam com mulheres em que a premissa é que "não pode depender de homem", tem diversas dificuldades em liderar e agradar a esposa. Todas as suas ações estão sendo observadas e se não agradarem a esposa independente, ela pula fora do relacionamento. Afinal ela tem emprego, profissão e dinheiro de sobra, não precisa de homem.

O abuso perpetrado contra a mulher, na sua infância, dificulta seus relacionamentos, tendo em vista que a mentira diz que todo contato amoroso e sexual pode ser encarado como violência e seu marido mesmo que amado e querido não pode tocá-la.

Existem mentiras de todo o tipo. Essas mentiras se multiplicam por dois e ajudam na separação, pois são muito reais na vida do casal e se repetem ao longo da vida.
Para superar essas dificuldades é necessário que o início seja pautado por deixar claro as posições sobre os aspectos de religião, tarefas domésticas, sexo, dinheiro e profissão. Estejam preparados para mexer no baú de feridas das suas vidas. Que devem ser resolvido antes de começar uma jornada juntos.